Anvisa diz que pílula do câncer não deve ser testada em humanos

Pedro Garcia

Congresso Nacional decretou e a presidente da República sancionou a lei no dia 13 de abril deste ano, autorizando o uso da fosfoetanolamina sintética

Apontada como possível cura para diferentes tipos de câncer, a fosfoetanolamina, conhecida como pílula do câncer, causou muita polêmica desde a aprovação do congresso, que autorizou o uso da substância para pacientes com câncer. A medida atendeu aos pedidos de milhares cidadãos afetados com algum tipo da doença. No entanto desapontou cientistas, que questionam a eficácia da pílula. Para o diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, Fernando Mendes Garcia Neto, a liberação pulou etapas e não deveria ter chegado à fase de testes em humanos.

– A gente não sabe efetivamente se ela até tem efeito sobre essa patologia. As pesquisas foram muito ruins, foram feitas em três locais diferentes, elas foram desastrosas, o que não credencia a fosfoetanolamina a passar para a fase 1, que é a utilização em humanos.

Na última semana, um laboratório de Cravinhos, em São Paulo, confirmou que entregou a Fundação para o Remédio Popular, Furp, o primeiro lote da substância. Na Furp, 35 quilos do princípio ativo serão transformados em 70 mil cápsulas, destinadas ao Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, Icesp, responsável por coordenar a distribuição da substância aos hospitais que farão o estudo clínico pelos próximos seis meses.

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Dez pacientes serão avaliados nesta primeira fase. Se a pílula não apresentar efeitos colaterais graves, os testes devem ser realizados com mais 21 pacientes em cada grupo de diferentes tipos de câncer. A princípio, será estudado o efeito em pacientes com tumores na cabeça e pescoço, pulmão, mama, cólon e reto, colo uterino, próstata, melanoma, pâncreas e fígado.

Mais informações no site da Anvisa

O diretor da Anvisa disse que enviou uma série de considerações técnicas dizendo que o produto não deveria ser liberado, mas a presidente não levou em consideração e aprovou o projeto de lei, que segundo Fernando, pode ser perigoso, por não ter seguido exatamente todas as fases de produção.

– Isso nos causa uma preocupação muito grande, uma vez que foi criada uma área livre ou uma exceção regulatória. A partir da publicação dessa lei, todas as pessoas que quiserem fazer uso da fosfoetanolamina como possível medicamento para a neoplasia maligna o farão sem ter a garantia da segurança e da eficácia dessa substância.

Fosfoetanolamina

A substância, apontada como possível meio de cura para pacientes com tumor maligno não passou por testes em humanos e não tem a eficácia comprovada. Também não tem registro na Anvisa e os efeitos são desconhecidos. Por isso não pode ser considerada um remédio. Entretanto, diversos pacientes que usavam a pílula, relatam ter melhoras consideráveis no tratamento contra a doença.