Cartão de crédito: a ferramenta prática e fácil, mas também perigosa

A cena já é comum: pessoas vindas de todos os lugares utilizam cartões de crédito seja em alguma loja de roupas, móveis, brinquedos ou nos mercados, restaurantes e até mesmo para comprar gás. O problema maior é saber administrar os gastos e a sua praticidade em parcelar uma série de produtos sem juros.

Em entrevista para o IG, Samy Dana, professor de finanças da FGV, consultor e autor do livro 10x sem juros, explica que parcelar o pagamento das compras no cartão ou atrasar a fatura para o mês seguinte sem necessidade é um equívoco. Ele deve ser usado somente em emergências, ou quando não é possível recorrer a linhas mais baratas, como o crédito consignado, que cobra taxas em torno de 1,7% ao mês, por descontar os valores da folha de pagamento. O mesmo cuidado vale para o cheque especial, a segunda modalidade mais cara no mercado. Os juros de pagar uma conta atrasada costumam também ser salgados e Dana adverte na mesma entrevista: “Se a compra foi feita à vista no início do mês, e a fatura do cartão chega perto do fim, quitar o valor no vencimento é uma ótima oportunidade de aproveitar o crédito sem pagar juros. Se você pagar a fatura até a data de vencimento, o cartão será seu amigo”.

Esse cuidado pode ser analisado ainda mais profundamente  se observamos esses dados: segundo pesquisa do aplicativo Guiabolso com 278 mil usuários, disponível na matéria do Estadão, 20% deles tinham uma conta parcelada para pagar no mês e um terço tinha mais de 51% da renda comprometida com as parcelas feitas em cartão de crédito.

Para Angela Nunes, da Associação Brasileira de Planejadores Financeiras, em entrevista para o Estadão, o consumidor precisa estar ciente que cada mês aquela parcela entrará em seu salário e precisa calcular isto antes de comprar algo:  “É preciso lembrar que, quando parcelamos, estamos adquirindo dívidas”.

Mas nem tudo são males: segundo dados do Banco Central divulgados em reportagem do Correio Braziliense, 73,2% do saldo a receber em cartões não têm incidência de juros. Isso mostra que a grande maioria das pessoas usa o sistema de forma consciente, ou seja, paga toda a fatura no dia do vencimento e sabe aproveitar seus benefícios sem pagar juros. Em compensação, informa o BC, daqueles que recorrem ao rotativo, quatro em cada 10 acabam se tornando inadimplentes.

Hoje, há vários cartões sem anuidade (aquele valor fixo todo mês pago devido ao uso do cartão) como o Nubank, o Pag e o Credicard. É vantajoso em relação aos bancos convencionais além da opção de poder adiantar pagamentos.

Texto: Sarah Hilgert Vieira
Foto de capa: Marlon Tavoni/EPTV