Cultura e educação devem ser conectadas: fim do ministério parece fazer sentido

Iuri Castelan

      Circulando entre as páginas do Facebook não é incomum encontrar notícias ou notas de indignação com assuntos do gênero “artista tal terá turnê apoiada com 2 milhões de reais do Ministério da Cultura”. Agora, muitas artistas estão na corda bamba em relação a este tipo de projetos. Após assumir a presidência devido o impeachment da presidente Dilma, Michel Temer resolveu cortar vários ministérios, entre eles o Ministério da Cultura.

      Ao passo que o ministério da Educação tem verba de quase 100 bilhões de reais anuais e o da Cultura na casa dos 3 bi, há quem diga que a medida não gerará a economia que o pais precisa. Lógico que não resolverá a crise econômica do país. Mas o ponto que podemos ter de positivo com a dissolução do Ministério da Cultura é uma reestruturação desta pasta que muitas vezes acabava alimentando ideologias ou tendo os fomentos usados como forma de “comprar” os artistas que têm voz de opinião muito forte entre grandes públicos. A Cultura fazer parte do Ministério da Educação não significa um corte de toda a cultura nacional. Ainda é preciso tempo para ver a real consequência que a fusão trará.

Como fica após a reforma no ministério? Esta é a lista dos ministérios e secretarias que deixam de existir:

– Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República

– Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

– Ministério das Comunicações

– Ministério da Cultura

– Ministério do Desenvolvimento Agrário

– Controladoria-Geral da União

– Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos

– Casa Militar da Presidência República

– Secretaria de Portos da Presidência da República

E a mudança no nome de alguns ministérios fica assim:

Antes: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação |Agora: Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações

Antes: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior |Agora: Ministério da Indústria, Comércio e Serviços

Antes: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome |Agora: Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário

Antes: Ministério da Educação |Agora: Ministério da Educação e Cultura

Antes: Ministério da Justiça |Agora: Ministério da Justiça e Cidadania

Antes: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão |Agora: Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão

Antes: Ministério do Trabalho e Previdência |Agora: Ministério do Trabalho

Antes: Ministério dos Transportes |Agora: Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil

Fotos: publicdomainpictures.net
Foto: publicdomainpictures.net

  É preciso não só reafirmar as leis, as formas como a cultura é incentivada. É preciso que o brasileiro seja “culturizado”. Justamente um ponto interessante de ser visto: a cultura agora entra como secretaria no Ministério da Educação. Seria de bom grado se realmente o ensino fosse enriquecido nas escolas com um pensamento mais humanizado e voltado para a sensibilidade artística. Fazer com que a cultura seja empregada nas escolas não somente com coisas do tipo “vamos aprender a cultura da nossa região” ou “vamos ver os mitos do folclore brasileiro”. É preciso fazer com que, desde cedo, as crianças tenham o espírito de criação, de deixar as ideias livres e liberta de dogmas e teorias centralizadas.

      O grande problema que pode causar algum receio neste fato é quanto projetos que verdadeiramente facilitam a vida dos bons artistas que nunca tiveram uma chance. Precisamos aguardar para ver se projetos antes desenvolvidos pelo MinC serão afetados, como ficará também a questão da polêmica lei Rouanet. O governo tem uma árdua tarefa de pinçar os bons projetos e mantê-los (ainda que sob o guarda-chuva da educação) e acabar de vez com as regalias que servem apenas para capitalizar mais ainda artistas e projetos que já conseguiriam se manter por si só.

      Nossa educação é “bipolarizada” em certo e errado, não há uma visão horizontal aprofundada nos estudos. O conteúdo é escolhido, aplicado, decorado e os alunos fazem para passar nas provas. Falta aplicação. Então, ainda que seja difícil prever o futuro de projetos culturais e incentivos do governo, já que a cultura entra agora na educação, deve realmente ser ensinada nas escolas. Por que não aulas de música? Desenho? Um ministério deve servir para a fomentar a unidade, o crescimento da cultura nacional e não só o interesse de alguns.