Depressão e suicídio ainda assolam vida de jovens brasileiros

Medo. Incertezas. Ansiedade. Ausência da vontade de viver. Esses são os primeiros passos da depressão, que hoje atinge cerca de 80% da população, conforme o Ministério da Saúde. A depressão pode estar em qualquer lugar, no seu vizinho, na sua melhor amiga, nos seus pais ou até mesmo em você.

Para tratar a depressão é necessário saber onde é a raiz do problema e segundo a psicóloga Rodneia Ferreira, as pessoas possuem cinco emoções denominadas medo, preocupação, raiva, tristeza e alegria; quando o indivíduo não consegue lidar perfeitamente com elas, acaba se deprimindo e consequentemente a depressão.

Conhecendo a raiz do problema é hora de atenção redobrada, uma vez que, as consequências podem ser avassaladoras, uma delas é o suicídio. De acordo com o Ministério da Saúde cerca de 110 mil pessoas cometem suicídio por ano no Brasil, e como a depressão, pode acontecer com qualquer pessoa, sem distinção de classe, cor e credo.

Alice (nome fictício), de 22 anos, já foi diagnosticada com depressão e sucedeu com a tentativa de suicídio. “Foi um conjunto de coisas na minha vida que não estavam indo bem, entre elas, problemas em casa e com a família, baixa autoestima e me sentia muito sozinha”, afirmou a hoje mãe de uma menina de três anos e estudante de Direito.

Alguns dados mostram, o enforcamento como uma das tentativas mais comuns entre os suicidas, seguido da intoxicação, que cresce ano após ano. Alice, na sua tentativa, iria ingerir diversos remédios, mas felizmente pensou duas vezes antes de tomar essa atitude, por sua filha e marido.

Pensando em todos esses dados alarmantes e suicídio frequente foi inaugurado uma sede do Centro de Valorização da Vida em Tubarão. O CVV surgiu em São Paulo, há 50 anos e sempre com o objetivo de prestar apoio emocional e prevenção ao suicídio. Na região da Amurel, existe também uma sede em Braço do Norte e lá já foi constatado que os suicídios diminuíram drasticamente.

Além das ligações, no setembro amarelo (mês destinado à prevenção do suicídio), diversas ações foram feitas aqui em Tubarão, entre elas, a inauguração do posto, palestras, participação do desfile cívico, mesa redonda e ainda a ação de mil balões que foram colocados nas pontes do centro da cidade.

“É um constante aprendizado. Cada ligação, cada pessoa atendida é uma superação, é uma forma de nos melhorarmos como voluntários, mas também como pessoas. Tentar entender uma realidade que você não vive muitas vezes é difícil. Atender a pessoa de forma amorosa e acolhedora, não julgar, não emitir sua opinião sobre o assunto é um desafio. Não é fácil, muitas vezes nos abalamos, mas há ligações que são tão gratificantes que faz tudo valer a pena”, ressalta Beatriz Juncklaus, voluntária no instituto.

Para ser voluntário do CCV e ajudar nesta causa tão nobre é necessário passar por um Curso de Seleção de Voluntários e o Curso de Preparação de Voluntários. Beatriz relatou que o instituto não exclui ninguém, vai de cada pessoa analisar, depois dos cursos, se possui o perfil de voluntário e assim começar no projeto.

Para quem precisa de uma ajuda e uma palavra amiga, basta ligar para o CVV, pelo número 188 ou pelo site cvv.org.br. A ligação é sem custo e pode também ser feita pelo celular, mesmo sem crédito.

Hoje, com muita vontade de viver, Alice vive muito bem com sua família, sem os antigos pensamentos. E para finalizar, ela ressaltou a importância de procurar a ajuda de um psiquiatra e sempre pensar nas pessoas que estão a sua volta, antes de qualquer ação.

Apesar de todo o trabalho do CVV, conforme a psicóloga Rodneia Ferreira, já nos primeiros sintomas como ansiedade, medo, vontade de dormir e a “fuga dos problemas”, é necessário procurar ajuda de especialista para que não ocorra a depressão e o possível suicídio.

Texto: Augusto Machado