Livres para escolher: brinquedos não precisam ter gênero

Após tantos tabus, a mudança vem sendo desenvolvida aos poucos: os brinquedos rosas e azuis, atribuídos aos gêneros, agora estão sendo discutidos e repensados pelos pais, empresas de brinquedos e especialistas.

Não é recente o fato de que as pessoas associam rosa às crianças do gênero feminino e o azul ás do gênero masculino. Nas lojas, as seções muitas vezes estão separadas. Um experimento feito pela BBC mostra como muitas vezes as cores são associadas automaticamente a um gênero: quatro adultos foram voluntariados a brincarem com duas crianças (estas, trocaram de nome e roupas para que os adultos não pudessem notar quem é quem) e todos eles ao pensarem que a menina era um menino deram brinquedos como robô e carrinhos e ao menino deram bonecas. Ou seja, muitas vezes as lojas e a publicidade se apropriam disto pois sabem que não é notado tal comportamento que reforça esses padrões impostos.

Para especialistas esses comportamentos devem ser mudados. Em entrevista ao Correio Braziliense a psicóloga Valeska Zanello, professora do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade de Brasília opina: “Como ser humano, temos um potencial infinito e acabamos banindo as possibilidades dele. Um menino que gosta de dançar e é um excelente bailarino não vai desenvolver isso porque balé é considerado coisa de menina. Ou uma menina que poderia ser uma grande corredora de carro será repreendida”.

Professora titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Tizuko Morchida Kishimoto, com pesquisa e docência em educação infantil, formação de professor e brinquedo, também ao Correio Braziliense diz que trata-se de descontruir esses conceitos e recomenda que os pais ofereçam vários tipos de brinquedos para as crianças, dando-lhes liberdades de escolha de acordo com o gosto de cada uma.

Em uma matéria do Globo é possível observar um caso em que uma mãe, diferentemente das “padrões”, sempre deu liberdade a sua filha pois ao ver a placa do brinquedo de super-herói intitulada na loja como “brinquedo para meninos”, ela viu a indignação da filha e fotografou. A foto foi postada no Twitter (foto abaixo).  “Quando ela viu a placa, ficou confusa, porque ela dizia exatamente o oposto do que eu tinha ensinado a ela”, contou Karen, a mãe da menina a BBC.

Com essas mudanças acontecendo, as pessoas estão percebendo que nada precisa ser assim.

Renato Pereira, diretora da Zuca Toys, foi entrevistado pelo G1 conta que muitas pessoas estão pedindo kits neutros de cozinha (principalmente mães) para ensinar seus filhos a cozinharem e serem bons maridos. Assim foram criados kits com a linha de cores  neutras e 20% das vendas já respondem por estes. “A gente começou a escutar o mercado. Desses 20% eu não sei quanto é para menino ou para meninas. Mas acho que esses 20% mostram uma demanda que estava reprimida”.

Tamara Campos, gerente de marketing da Xalingo Brinquedos, também lançou uma linha de cozinha neutra com refrigerador e fogão variados das cores vermelha e cinza. Segundo ela, o tão famoso filme da Disney “Frozen” fez as pessoas pensarem a respeito do assunto e explicou o porquê ao G1: “É uma questão histórica, cultural. As próprias licenças tendem muito a separar meninos e meninas. Para quebrar um pouco o paradigma de cor, a Frozen chegou com esse sucesso em tons de azul, e uma personagem feminina com superpoderes. Foi um divisor de águas.”

Texto: Sarah Hilgert Vieira

Fotos: Divulgação