Luta contra o assédio sexual une jornalistas do ramo esportivo

A luta pela igualdade de gênero uniu mulheres do jornalismo esportivo para lutarem contra o assédio no mundo do esporte. A ideia surgiu com Bruna Dealtry, do Esporte Interativo, e logo nomes como Cris Dias, Fernanda Gentil e Carol Barcellos também se juntaram ao Movimento “Deixe Ela Trabalhar”.

Em entrevista ao site Purepeople, a organizadora Bruna falou como surgiu a campanha: “Isso acontece todos os dias, mas a gente não fala por vergonha ou por medo da exposição. Eu queria encorajar outras mulheres: primeiro, aqui na minha redação. Fizemos um grupo, depois foram entrando meninas de outras redações e, em uma semana, eram 50 jornalistas, aproximadamente. E começamos a produzir texto, vídeo, virando a noite para editar… estamos aprendendo muito também!”

 

#deixaelatrabalhar

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A primeira ação realizada foi o vídeo ter passado no estádio do Maracanã antes do jogo entre Fluminense e Botafogo. Segundo o site A Tribuna, 30 dos 40 times das séries A e B do brasileirão apoiaram o movimento, no Twitter a #Deixaelatrabalhar ficou nos assuntos mais comentados do twitter no dia do seu lançamento. O vídeo com o beijo do torcedor e o texto da Bruna já somam mais de 1,6 milhões de visualizações e 10 mil compartilhamentos no seu instagram. A visibilidade desse caso foi tamanha que ganhou repercussão internacional.

 

'Sou repórter de futebol, sou mulher e mereço ser respeitada'

Sempre fui uma repórter que adora uma festa de torcida. Não me importo com banho de cerveja, torcedor pulando, pisando no meu pé… sempre me deixo levar pela emoção e tento sentir o momento para fazer o meu trabalho da melhor maneira possível. Sempre me orgulhei por ter uma boa relação com todas as torcidas e por ser tratada com muito respeito!! Mas hoje, senti na pele a sensação de impotência que muitas mulheres sentem em estádios, metrôs, ou até mesmo andando pelas ruas. Um beijo na boca, sem a minha permissão, enquanto eu exercia a minha profissão, que me deixou sem saber como agir e sem entender como alguém pode se sentir no direito de agir assim. Com certeza o rapaz não sabe o quanto eu ralei para estar ali. O quanto eu estudei e me esforcei para ter o prazer de poder contar histórias incríveis e estar em frente às câmeras mostrando tudo ao vivo. Faculdade, cursos, muitos finais de semana perdidos, muitos jogos de futebol analisados, estudo tático, técnico, pesquisas etc. Mas pelo simples fato de ser uma mulher no meio de uma torcida, nada disso teve valor para ele. Se achou no direito de fazer o que fez. Hoje, me sinto ainda mais triste pelo que aconteceu comigo e pelo que acontece diariamente com muitas mulheres, mas sigo em frente como fiz ao vivo. Com a certeza que de cabeça erguida vamos conquistar o respeito que merecemos e que o cidadão que quis aparecer é quem deve se envergonhar do que fez. Sou repórter de futebol, sou mulher e mereço ser respeitada.

Publicado por Bruna Dealtry em Terça-feira, 13 de março de 2018

Infelizmente o assédio sexual ocorre solto pelos estádios do mundo Natalie Gedra da ESPN Brasil já foi xingada em um estádio por conta de se mulher trabalhando em campo, além disso também tinha pessoas rindo dela. Outro caso foi também o de Monique Danello que um torcedor da Alemanha tentou beijar ela no pré-jogo do Estádio do Mineirão.

Segundo o site SportTV no mesmo dia do lançamento da campanha Kelly Costa repórter da RBS e que também participa do manifesto, foi ofendida por um torcedor durante a partida São José e Brasil de Pelotas e em entrevista ao site SportTV  Kelly Costa comentou sobre a campanha: “A gente precisava fazer esse barulho, manifestar nossa indignação, nosso descontentamento de a gente não conseguir exercer nosso trabalho com tranquilidade. A gente ter sempre a necessidade de mostrar que somos tão capacitadas quanto o nosso colega homem. Nós estamos sofrendo com muita frequência esse tipo de agressão, esse tipo de violência. A gente não quer mais se calar. Não queremos mais ficar quietas. A gente tem mesmo que denunciar. Temos mesmo que não nos conformar porque o problema é gigantesco e precisa ser combatido”.

Texto: Thiago de Souza