O panorama conturbado da seleção brasileira

Pedro Garcia

Desde a conquista da última Copa do Mundo, em 2002, que a seleção brasileira não vem empolgando o torcedor. De lá para cá foram eliminações em cima de eliminações. Uma delas, aliás, vexatória, para a Alemanha, em 2014, no mundial em que disputou aqui, no próprio território. A derrota por 7 a 1 para a atual campeã do mundo desanimou tanto os brasileiros, que assistir a uma partida da seleção não é mais uma prioridade.

Prova disso é o reflexo ruim na audiência da TV aberta. O jogo entre Brasil x Peru, outro vexame, diga-se de passagem, que valia vaga nas quartas de final da Copa América Centenário, marcou apenas 21 pontos de audiência. Para fazer um comparativo, o clássico entre Corinthians x Palmeiras, transmitido também pela Rede Globo, cravou 29, segundo dados do Ibope.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por sua vez, é uma das grandes culpadas pelo desinteresse dos brasileiros em acompanhar a Seleção. A briga pelo poder na entidade não está prejudicando somente jogadores e comissão técnica, mas a imagem de toda uma Seleção.

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Dunga, quando foi demitido após a derrota para a Holanda, na Copa do Mundo de 2010, não deveria ter recebido uma nova chance. No entanto, a entidade máxima do futebol brasileiro persistiu no erro e o contratou novamente. O resultado não poderia ser diferente: torcedores indignados e a cada jogo pedindo a saída do treinador.

A derrota por 1×0 para o Peru foi à gota d’água. A toda poderosa CBF decidiu aderir à pressão popular e demitiu Dunga, após mais um fiasco. A Confederação Brasileira de Futebol tinha uma carta na manga e sorrateiramente foi atrás de Adenor Leonardo Bacchi, ou apenas Tite, como preferir. Sem consultar ao Corinthians, time que o técnico dirigia até então, fez uma proposta ao treinador, que por sua vez, impôs algumas condições. Uma delas era a de ter autonomia para montar uma comissão técnica.

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O status de unanimidade de Tite deu confiança ao treinador para solicitar o que quisesse para a CBF. Portanto ele decidiu ir além e pedir 280 mil reais a mais que a entidade havia lhe oferecido de salários. Pressionada e sem saída, a Confederação não teve alternativa e aceitou as condições do ex-treinador corinthiano.

Mas os desafios de Tite só estão começando. Na apresentação, o novo técnico da seleção chegou colocando respeito. Tanto que não garantiu Neymar, principal estrela da equipe, como capitão.

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Tite é um treinador respeitado, tanto pela conquista de seus títulos, quanto pelo espírito de liderança, inteligência e tática aplicada dentro de campo. O que se espera nesse momento é que ele consiga colocar a seleção brasileira novamente em um lugar de prestígio, para que os torcedores voltem a apoiar uma das seleções mais vitoriosas da história do futebol mundial.