O poder feminino na série Game Of Thrones

Helena Warmling

A série de maior sucesso da atualidade, escrita pelo americano George Raymond Richard Martin, e adaptada para a televisão pela rede fechada HBO, está na sexta temporada. Ao todo, já soma mais de 60 capítulos exibidos e milhares de fãs espalhados pelo mundo.

A história mescla fantasia em um mundo de dragões, lobos gigantes e uma espécie de “zumbis” do gelo – denominados White Walkers (caminhantes brancos). O enredo conta com diálogos ácidos, críticos e personagens transformadores de opinião.

Consagrada por não ter exclusivamente um mocinho ou um vilão, todos são odiados e amados ao mesmo tempo, ou seja, impossível ter um personagem preferido.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a força das personagens femininas na série.

Ao mesmo tempo em que elas são expostas nuas, estupradas e submetidas a situações machistas, aparecem como rainhas, heroínas e peças fundamentais para o enredo.

Talvez o maior símbolo seja a Mãe dos Dragões, Daenerys Targaryen, única representante de sua família – que lidera um exército e conquista reinos através de sacadas incríveis com seus “filhos”.

 

Uma líder nata, rainha absoluta. Personalidade forte, atitude imbatível. Ela representa muito bem o poder feminino na trama. Embora leve algumas rasteiras da vida – afinal em Game Of Thrones não existem finais felizes – ela se mantém firme e decidida.

Mas não venho falar do poder feminino “escancarado” e sim para fazer uma crítica à sociedade através da uma menina nada popular na série: Sansa Stark.

Resumindo sua história: ela foi criada para ser uma donzela, casar com um príncipe encantado e viver um verdadeiro conto de fadas. O problema é que sua família foi morta brutalmente, ela foi forçada a se casar duas vezes, a primeira com um anão, este pelo menos era do bem e não a fez mal. Já na outra, foi enganada, estuprada, torturada, humilhada e passou por momentos que ninguém, jamais, imagina. Ou será que sim?

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Ora, muitas de nós são criadas desta forma – talvez a maioria – muitas ainda esperam o príncipe encantado mesmo em pleno século XXI. Fruto de uma sociedade patriarcal e machista. Onde a mulher é vista apenas como “serva” do homem e nada mais.

Talvez esteja sendo um pouco radical, admito, mas Sansa me faz pensar nisso todos os dias.

Ela não é apenas uma personagem qualquer, caso contrário teria morrido (como tantos outros “protagonistas” morreram). Ela tem uma representação e um significado.

Gostaríamos de ser Daenarys Targaryen e conquistar reinos, mas somos criadas como “Sansas” da vida. Vivemos em meio a riscos de estupros, humilhações e imposições.

No episódio exibido no último domingo, o penúltimo da temporada, Sansa mostrou porque ainda está viva e calou a boca de muitos que achavam sua existência banal.

Uma reviravolta surpreendente, onde sozinha, sem armas e de um jeito totalmente “delicado” ela venceu a grande guerra.

Eu particularmente adoro quando a donzela indefesa que todos odeiam por ter características impostas a ela sobrevive, resolve os problemas e ainda se torna admirada por todos.

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Para mim isso explicou ainda mais a representação da imagem da mulher na série.

Até mesmo a mais “Sansas” podem tornar-se “Daenerys Targaryen”.

Basta saber utilizar os seus “dragões” para matar os preconceitos existentes na sociedade.