Hora do parto: elas decidem entre normal, natural e humanizado

Com avanços tecnológicos na medicina, as práticas e assistências ao parto sofreram grandes transformações no século XX. O ambiente hospitalar e a figura do médico tornou o nascimento cada vez mais dependente de intervenções tecnológicas, como a cesárea por exemplo.

Mas nos últimos 20 anos, o Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde, com evidências científicas apontam algumas desvantagens da cirurgia em relação ao parto normal, em termos de morbidade e mortalidade materna e gastos do sistema de saúde. Além disso, iniciou-se uma discussão acerca da escolha e preferência das mães e mulheres sobre a via de parto. Entre as opções, temos a cesárea, o parto normal e o natural.

Existe uma dúvida presente entre a maioria da população a respeito do parto humanizado. É um novo tipo de parto? Segundo a doula Andrielly Vieira, o parto humanizado é um novo conceito, onde a mulher é a protagonista das suas escolhas e, sejam elas quais forem, devem ser respeitadas. Isso porque o processo fisiológico acontece somente entre a mãe e o bebê.

“O parto humanizado não depende de espaço físico e sim de seres humanos, uma equipe humanizada que entenda o protagonismo da mulher, que ela é o centro e o restante são só peças no cenário obstétrico”, afirma Andrielly.

Em contrapartida, alguns obstetras têm uma visão negativa do parto humanizado. Porque quanto menor a intervenção, o trabalho de parto se prolongaria mais e os riscos acabariam aumentando. A médica ginecologista e obstetra Thábata Mounzer concorda com a afirmação de que os riscos aumentam, mas afirma que no ambiente hospitalar, com uma boa assistência médica e um trabalho multidisciplinar, a gestante tem todo o suporte para que mesmo com mais tempo tudo evolua bem.

“A polêmica em relação ao parto humanizado está nos extremos. Quando as minhas pacientes chegam ao consultório determinadas a fazer parto, mas por algum motivo médico e real essa via não é possível, gera angústia, frustração e faz com que elas se sintam menos mães ou menos mulheres por não parir da maneira como elas haviam pensado. Então os extremos é que são prejudiciais”, assegura a médica.

Gabriela Willemann Duarte e Rafael Carmisin Duarte, assim que descobriram a gravidez, buscaram obstetras que recomendam o parto normal, mas ao mesmo tempo estavam preocupados com a segurança e a saúde do bebê. Tudo aconteceu como planejado e Luiza nasceu de um parto de cócoras, às 21h58min do dia 31 de dezembro de 2017, no Hospital Unimed de Criciúma.

Com as campanhas de conscientização ao parto normal, que mostram os benefícios tanto para a mãe, quanto para o bebê, houve um aumento na procura por esta via. Mas de qualquer forma, a mãe deve ser ouvida e cada caso deve ser analisado individualmente. O nascimento de um filho é um marco na vida da mulher e por isso não deve ser carregado por traumas ou frustrações. A gestante deve ser informada sobre suas opções e conhecer todos os lados de cada uma delas, para que tenha o livre arbítrio de escolha.

Você sabia?

A Câmara de Vereadores de Tubarão aprovou uma lei que institui no calendário do município, a Semana de Conscientização à Humanização do Nascimento. A partir do ano que vem, na terceira semana de agosto, várias atividades acontecerão na cidade para lembrar e valorizar a humanização do parto.

Humanizado, normal e natural, saiba a diferença

PARTO HUMANIZADO: Não é um novo tipo de parto, mas sim um conceito, onde a mulher é a protagonista do momento. Todos que estiverem presentes devem respeitar as suas escolhas. Nesse parto só existe alguma intervenção se for detectado algum problema pelo médico.

PARTO NORMAL: O parto feito pelo canal de parto é considerado normal. Mas no processo pode haver algumas intervenções não previstas, como a injeção de ocitocina, rompimento proposital da bolsa, indução e outros.

PARTO NATURAL: Neste tipo de parto não há nenhuma intervenção médica. O processo ocorre somente entre a mãe e o bebê, com supervisão profissional

Texto: Simoni Pavei e Laura Latrônico