Prática de esportes norte-americanos cresce no Brasil

A bola de futebol tem sido deixada de lado no Brasil. Os esportes norte-americanos têm ganhado o coração de muitos brasileiros. O futebol americano, por exemplo, apresenta 19,7 milhões de fãs segundo pesquisa feita pela Global Web Index e Statista. O diretor de marketing da Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), Fernando Fleury, projeta que, em cinco anos, “seremos o primeiro país em número de fãs”. Essa popularidade, inclusive, levou o porta-voz da NFL, Michael Signora, a confirmar o interesse da liga em colocar o Pro Bowl (jogo das estrelas) no Brasil.

Já o baseball em termos de público é o mais tímido. O esporte, muito influenciado no Brasil pela imigração japonesa, é menos praticado, enquanto a liga americana, a MLB, é a menos assistida em comparação com a NFL e a NBA. Mesmo assim, por mais que se mostre um pouco lento, o crescimento existe. De 2013 a 2014, a audiência da liga nos canais ESPN quase dobrou, alcançando na temporada regular 2,4 milhões de pessoas, e nas finais 780 mil telespectadores.

Por fim, o basquete é, entre os três principais esportes norte-americanos, o que detêm a história mais rica. Há mais de cem anos no país, o esporte se tornou um dos favoritos e mais populares do brasileiro.

SC em destaque

Ian Bittencourt Alves, de 21 anos, escolheu o futebol americano para seguir carreira, mesmo tendo que largar tudo para atingir seu sonho de se tornar um jogador profissional. “Eu abri mão da minha cidade, família, trabalho, estudos. Tive que ficar longe das pessoas que amo e sair da zona de conforto. Mas quando você quer ser atleta, tudo é compensador”, explica.

Tratando-se do futebol americano no Brasil, Ian enxerga com bons olhos o futuro do esporte em terras tupiniquins. “O esporte tem futuro, mas vai demorar bastante para chegar ao nível por exemplo do cenário europeu, que acontece há muito tempo, como na Áustria e Alemanha. Os times brasileiros têm que criar projetos visando o futuro e não o agora, a mentalidade das equipes está muito presa nisso, ganhar o próximo campeonato, e não ter um planejamento a longo prazo. São bem poucos os times que pensam nesse plano a longo prazo, a equipe que eu treino, o T-REX, investe nisso, tanto que está com um projeto para criar a Arena T-REX, construindo um estádio de futebol americano. Acho que se as equipes tiverem esse pensamento a longo prazo, o futebol americano tem tudo para crescer e se tornar rentável no Brasil”.

Ian destaca que os esportes americanos no Brasil são praticados e assistidos por um público de classe média e classe media alta, e que para um maior desenvolvimento dos esportes americanos no Brasil a classe mais humilde teria que ter acesso. Para isso acontecer, Ian comenta o que acredita que deve ser feito: “Como levar isso? Fazendo com que os times queiram desenvolver projetos sociais, fazer com que os esportes sejam levados até as escolas. Isso tem que partir um pouco de quem pratica, querer divulgar, querer mostrar o que é o esporte. Os jogadores e as comissões técnicas dos times do futebol americano fazem muito, em levar o esporte para escola, mostrar para as crianças”.


Ian Bittencourt Alves / Foto: Arquivo pessoal

O basquete é um dos fomentadores

No sul de Santa Catarina, mais precisamente na cidade de Criciúma, temos um dos fomentadores dos esportes americanos no Brasil. O presidente da Liga Sul Catarinense de Basketball (LSCB), Renan Custódio, tem levado o basquete a níveis inimagináveis na região sul do Brasil. Renan, inclusive, já atuou em uma universidade nos Estados Unidos em Utah e traz essa base ao seu novo trabalho, alinhando sua experiência com o desenvolvimento do basquete.

A Liga sul de Basquetebol existe desde 1997, mas foi em 2016 que começou a engrenar com a disputa da categoria adulta, seguida da juniores e infantil. Renan fez uma avaliação do basquete de um modo geral no sul catarinense. “Eu acho que estamos em uma crescente bem considerável no basquete nos últimos anos, estamos conseguindo mais equipes e essas equipes estão muito organizadas hoje. O que tentamos fazer, bastante aqui na liga, é trazer essa experiência para o público, trazer essa experiência para equipes e jogadores, que valorizem o próprio esporte, mas que valorizem eles como atletas”.

Além do calendário já pré-definido com o campeonato de basquete regional, outra modalidade que a LSCB vem priorizando é o basquete 3×3, com evento em varias cidades do sul catarinense, como Criciúma, Capivari de Baixo, Tubarão, Garopaba, Balneário Rincão, Laguna, Urussanga e Araranguá.

Texto: Higor Stork