Quem vê o close, não vê o corre!

Conteúdos LGBTQIA+ escorregaram para canais do youtube e o público está consumindo os assuntos com o qual se identifica

As informações ocorrem de maneira muito rápida atualmente. O fluxo de mensagens está cada vez mais instantâneo e tenta alcançar a rotina do povo brasileiro a todo instante. O que está dentro do seu campo de visão e for interessante aos seus olhos, você vai parar em média 4 segundos para saber do que se trata. A partir do momento que aquilo deixa de ser interessante, se perde no mundo cibernético. O mesmo acontece com a vida de pessoas com orientação sexual diferente do normativo imposto pela sociedade. Segundo dados da ONG Transgender Europe (TGEU), de outubro de 2017 à novembro de 2018, 369 homicídios de transexuais foram cometidos no Brasil provocados por homofobia. O país se destaca como o mais violento para pessoas transexuais em ranking mundial. Esses atos de preconceito não ganham destaque na mídia tradicional.

Em consequência, pela falta de informação em redes abertas de televisão, o público migrou para onde se encaixava. Os métodos de transmitir informação foram se adaptando à essa grande massa que não se identificava com o que viam nas transmissões nacionais. O youtube foi uma grande porta com oportunidades para veículos de comunicação alternativos e personalidades ganharem visibilidade. Isso aconteceu com o canal da youtuber drag queen, Bianca Dellafancy, que aborda assuntos da comunidade LGBTQIA+, da qual faz parte e se identifica, para levar conteúdo aos seus novos fãs e público. Porém, não exclusivamente para eles, pois seus vídeos tratam de assuntos amplos como problemas socioculturais dentro do país.

Assuntos como solidão, ansiedade, política, uso de drogas, marginalização e educação sexual são apenas alguns tratados em um dos carros chave do canal, o quadro DELLA MAKEUP.
Bianca Dellafancy, para Red Bull

 

Bianca (D) em quadro do canal

Interpretada por Felippe Souza, a drag queen é: DJ, modelo e forte influência na cena de São Paulo. Desde que começou sua carreira, já desfilou na São Paulo Fashion Week, Casa de Criadores, posou para C&A, tocou na Parada LGBTQI+ de São Paulo e participou do clipe de “Disk Me”, da Pabllo Vittar.

Desde então, deu mais um passo na sua carreira e se aventura no quadro “Tá bom pra você?”, em seu canal no youtube. Por meio de seus vídeos, Bianca argumenta de modo filosófico e realista assuntos que assombram e divertem o público lgbt, isso tudo de maneira séria e ao mesmo tempo carregada de ironia.

No canal, traz convidados do mesmo cenário para um bate papo poderoso que mostra reflexões do atual Brasil que vivemos, como também curiosidades e questões de vida que não estamos acostumados a ouvir em transmissão na rede aberta. O seu diferencial é maquiar seus convidados enquanto eles trocam suas experiências e a ansiedade para o resultado final faz você se deliciar até o final.

“Representatividade é fundamental, seja para jovens queer, trans, não-binários, para mulheres, negros… como a grande mídia falha nesse quesito, é importante ter canais alternativos de mídia que possam trazer essas imagens para os jovens que se sentem desamparados pela falta de representação”
Sofia Soter, editora da revista online Capitolina, para Youpix

O Canal no youtube Põe na Roda viralizou no meio LGBTQI+ justamente por trazer assuntos polêmicos que não eram vistos no dia a dia. Outros canais estão se destacando, principalmente dentro de Santa Catarina. Como o caso do canal LubaTv. O youtuber reside em Tubarão e conta com mais de 6 milhões de inscritos no seu canal. A youtuber Louie Ponto também é grande destaque, ela vive em Florianópolis e seu canal conta com mais de meio milhão de inscritos. Ela aborda temas importantes da causa LGBTQI+ e tem um viés político.

Representatividade é importante justamente para se conectar com vários públicos e não deixar um grupo específico de fora, além de cativar e conquistar ainda mais telespectadores. Por isso essa mídia alternativa está ganhando cada vez mais força dentro da internet, pois aborda e trata de questões que precisam ser consumidas por esse público específico de alguma forma.

 

Texto: Roger Viana

Jornal Laboratório