Temporada da pesca da tainha supera as expectativas no litoral Sul

A temporada de pesca artesanal da tainha começou dia 15 do mês passado, com a expectativa de ser a maior em número de peixes capturados em todos os tempos. Isso porque, as situações climáticas, como frio e vento sul seriam as mais favoráveis possíveis, o que beneficia uma boa temporada de pesca desta espécie.

 

Segundo o presidente do Sindicato dos Pescadores de Santa Catarina (Sindipesca), Gilberto Fernandez, a concepção da maior safra de tainha criada antes da abertura da temporada vem superando todas as expectativas. “A pesca da tainha começou dia 15 de maio para o pescador artesanal e dia primeiro deste mês, para os pescadores da prainha, superando todas as perspectivas, pois está sendo capturado muito pescado. Além disso, foi descoberto uma novidade. Entrando em contato com o Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (Sindipe), pode se comprovar que essa tainha que está sendo pescada aqui na região não é exclusivamente daqui e sim uma tainha que vem do Uruguai e Argentina, um pescado que já vem criado, com mais de 3 quilos e muita ova para exportação”, comemora Gilberto.

Ainda segundo o presidente, o que gerou a vinda deste tipo de tainha para o litoral foi justamente o fator climático previsto antes do início da abertura da pesca. “É um peixe muito diferenciado, é justamente pela questão climática, esse ano ainda eu acredito que muito pouco foi capturado. Na próxima, o Sindipe está marcando em Itajaí, um voo rasante, saindo de Florianópolis indo até a costa para fazer uma observação, pois foi visto um enorme cardume desta tainha vindo da Argentina e Uruguai”, afirma Gilberto.

Porém essa grande quantidade de tainha que frequenta as águas do litoral não pode ser capturada livremente. No mês passado foi publicado no Diário Oficial da União, a portaria que determina a cota de captura da espécie, assinada pelo ministro do Meio Ambiente, Edson Gonçalves Duarte. A cota máxima de captura está sendo trabalhada a 2.221 toneladas para a frota de cerco, conhecida também como traineira e 1.196 toneladas para frota de emalhe anilhado. Contudo o transtorno nem é este, e sim muita quantidade e nem tanta demanda, o que acaba se tornando um problema tanto para os pescadores desta categoria, quanto para quem comercializa o pescado. “Estamos entrando em contato com Brasília, pois hoje os barcos estão sendo recolhidos, visto que se continuassem pescando não tinham mais como armazenar os peixes. Hoje, está tudo estocado nas firmas, porque não cabe mais tainha”, frisa Fernandez.

Assim como o presidente, o pescador Jair Duarte afirma que este ano, devido ás condições típicas de inverno, a captura da tainha vem sendo privilegiada, além da divisão de classe pesqueira. “O que favoreceu e muito, foi a liberação por categoria, dando início primeiro a pesca artesanal e depois a industrial com limite de peso. Com isso, esta temporada está sendo proveitosa para as pequenas comunidades pesqueiras, esperamos que continuem assim”, afirma Jair, ao reconhecer a necessidade desta pesca para a sobrevivência de muitas famílias da região.

Em Laguna, além dos costões, o pescado pode ser capturado nos Molhes da Barra, pesca esta, manuseada com o auxílio dos botos. O preço da tainha chega a custar de R$ 9 a R$ 15, dependendo do tamanho, peso e comerciante. No estado, a pesca industrial só pode ocorrer a partir de cinco milhas da costa, já a artesanal, abrange desde a praia até três milhas mar adentro.

Só no ano passado, teve a maior safra das últimas três décadas em Santa Catarina, com a captura de cerca de quatro mil toneladas da tainha. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o governo busca novas possibilidades para enfrentar uma redução de cardumes em processo de crescimento, apresentada pelo próprio Plano de Gestão da Tainha.

Texto: Wanderson Andrade