Universitária de Tubarão descobre tumor no braço e se torna exemplo de superação

Estudante do curso de Publicidade e Propaganda Tayná Dacorégio precisou amputar o braço para retirada de um câncer

 Caroline Rodrigues

Natural de Grão-Pará, a estudante de Publicidade e Propaganda Tayná Dacorégio, 20 anos, mudou-se para Tubarão há um ano para estudar e trabalhar. Depois de algum tempo na cidade azul, já com um emprego fixo e estudando na Unisul de Tubarão, Tayná descobriu um tumor no braço esquerdo. Antes do diagnóstico da doença, ela percebeu uma mancha roxa no braço, mas nem se preocupou muito,achou que fosse um pequeno machucado.

Tempo depois, apareceu um caroço no mesmo local, chamando atenção de que algo estaria errado. Depois de alguns exames, Tainá soube que se tratava de um tumor. Segundo os médicos, em princípio ela teria que fazer uma cirurgia para retirar uma parte do osso afetado. No entanto, durante o procedimento cirúrgico, os médicos perceberam o tamanho da agressividade. Ao invés de retirar só a parte do osso afetado, ela teria que amputar o braço, caso contrário o tumor poderia atingir o pulmão.

Assim que soube da doença, Tayná contou que ficou sem sair de casa durante quatro dias, tempo que, segundo ela, foi essencial para assimilar o que estava acontecendo.

– A primeira coisa que  tinha certeza era de que a rotina iria mudar. Seria difícil conseguir conciliar o tratamento com a faculdade, ou até mesmo o trabalho como designer – contou a estudante.

A notícia deixou Tayná muito assustada, ela tentava entender como seria sua vida acadêmica ou profissional sem um braço. Mesmo nesta situação tão difícil, ela não precisou de nenhuma ajuda psicológica. Seus pais e amigos sempre deram muita força para que ela nunca desanimasse.

– Uma das coisas mais importantes  é o estudo, que sempre levei muito a sério. Logo depois que descobri a doença, contei a notícia para os amigos de faculdade, com quem divido apartamento: Halisson Passos, Gean Niehues e Gabriela Matos (todos estudantes de Publicidade e Propaganda da Unisul de Tubarão) – disse Tainá.

A notícia pegou seus amigos de surpresa. Um deles, Halisson Passos, 20 anos, contou que não foi nada fácil para eles receberem a notícia do tumor.

– Por estar muito próximo dela, a sensação que tinha era de impotência, pois não sabia como poderia ajudá-la. Tentamos não nos desesperar com a situação, e sempre focávamos em um futuro positivo –  fala Halisson.

Tayná sente-se privilegiada por ter amigos que sempre ajudaram e ajudam nas atividades do dia a dia, como por exemplo, a realizar os serviços de casa, ou levar a mochila da faculdade por exemplo, que muitas vezes pesa bastante.

Força e coragem

Todos que conhecem Tayná falam de sua força e coragem ao enfrentar o câncer de frente. O coordenador do curso de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Unisul de Tubarão, Mário Abel Bressan Junior, conta que na época em que Tayná teve que se ausentar para tratamento, os professores mandavam os conteúdos e trabalhos todos por e-mail, como se fosse um estudo a distância. Com a ajuda, ela conseguiu concluir o semestre.

– Mesmo enfrentando a doença, ela sempre dizia que nunca iria desistir de estudar, e vejo que pra ela a universidade é um local onde ela se sente bem, amparada e segura com os colegas e professores. O curso está sempre à disposição para ajudá-la, passando os conteúdos e o mais importante, mandando energias positivas para que ela supere a doença logo –  fala Mário.

Volta à faculdade

A volta de Tayná para a universidade foi comemorado com direito a uma festa surpresa organizada pelos seus amigos, que se preocupavam em não deixar que ela notasse qualquer ato de preconceito,  queriam protegê-la.

Mário salienta que este é o papel de educador mostrar para aluno em toda e qualquer circunstância de que ele é especial e essencial nessa construção de formação.

– Em nenhum momento a Tayná pensou em desistir, e assim como ela, não podemos abrir mão da educação. Devemos ter fé e lutar junto com o aluno, nos momentos bons e também ruins – afirma.

Ela ganhou da família um mouse adaptado para que continuasse a trabalhar e estudar, e também realizar o sonho de morar em Florianópolis para buscar o crescimento pessoal e profissional na área de Publicidade.

Para o amigo Halisson, ele nunca conheceu uma pessoa tão forte e positiva como Tayná.

– É uma amiga que eu tenho orgulho de conviver, de ter ela como amiga, de ajudar e estar sempre do lado. A história de superação dela é um exemplo para mim, e para todos que conhecem a história dela – ressalta Halisson.

Tratamento

Tayná está fazendo quimioterapia em Florianópolis, e conta que nos três primeiros dias após as sessões ela não frequenta a aula, pois sente-se  debilitada. Mas isso não a impede lutar:

– Não podemos nos lamentar por coisas fúteis do nosso dia a dia, devemos sempre erguer a cabeça e seguir em frente para enfrentar todas as dificuldades e barreiras que a vida nos dá todos os dias – declara a estudante.

 

Entenda o Osteossarcoma

  • O Osteossarcoma é um tipo de tumor que se surge nas células dos ossos, sendo o câncer primário mais comum do mundo.
  • É propenso aparecer em crianças e adolescentes, correspondendo a 56% nesta faixa etária. Por ano, surgem 2,7 mil casos, com maior incidência no sexo masculino.
  • A causa deste tumor é em sua grande maioria hereditária e genética.
  • Os primeiros sintomas apresentados são dor persistente e inchaço no local, dor nos ossos ao se mover, fraturas ósseas, vermelhidão, e também limitação de movimentos nas juntas.
  • Em geral o tratamento do tumor é acompanhado de cirurgia e quimioterapia. A maioria dos tratamentos se inicia com quimio, para logo depois, se precisar, realizar a cirurgia.
  • Quando a quimioterapia destrói o osteossarcoma totalmente, as chances de sobreviver mais do que cinco anos é de 90%.