A utilização de cinza pesada na fabricação de paver

Equipe de robótica da Escola Coração Feliz, de Tubarão, é classificada para etapa mundial do Prêmio Global Innovation, que reconhece as principais inovações desenvolvidas por estudantes de robótica.

A região sul do Brasil, conta com uma grande concentração de produção de cinzas leves e pesadas, principalmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Esses rejeitos são provenientes da queima de carvão mineral, nas usinas termelétricas. Mesmo já possuindo algumas aplicações na construção civil, muitas vezes as cinzas são destinadas em locais impróprios, que acabam gerando impactos ambientais.

Um projeto desenvolvido pela equipe de robótica da escola Coração Feliz, de Tubarão, utilizou essa cinza pesada, para a construção de um paver. O problema identificado pelo grupo tratava-se do uso e descarte desse rejeito, produzido pela usina termelétrica Engie, localizada no município de Capivari de Baixo. Durante as pesquisas, foi descoberto que o complexo produz cerca de 73 mil toneladas de cinzas pesadas por ano. Atualmente os rejeitos são armazenados em duas bacias de decantação, nas extremidades da própria usina. O grupo também identificou que essa cinza, quando mal estocada pode trazer diversos impactos ambientais.

Foi pensando nisso, que decidiram aproveitar o rejeito da cinza pesada, para aperfeiçoar e baratear o paver (bloco de concreto) tradicional. A ideia foi apresentada em um torneio de robótica, disputado pela equipe. O projeto foi selecionado em primeiro lugar na etapa estadual e foi indicado a um prêmio internacional, classificando assim, para a etapa nacional, onde competiram com outras 79 ideias e ficou entre as quatro melhores do país.

Esse foi o primeiro torneio que os sete alunos do sexto ao nono ano disputaram. A princípio a ideia era que a equipe, por ser muito jovem, participasse apenas dos projetos e adquirissem conhecimento neles. Mas nessa primeira experiência, eles já conquistaram um prêmio bastante importante. Para a aluna Eduarda Linhares do nono ano, o processo não foi nada fácil, foram muitas horas por dia de trabalho. Mas que por estarem em grupo e terem a ajuda de tutores, foi um pouco mais tranquilo.

“A gente teve contato com um material muito mais universitário, do que a gente deveria ter na nossa idade, mas a gente vai aos poucos. No começo parecia ser uma carga muito grande, mas a gente vai aprendendo a lidar”.

No primeiro momento os alunos iriam fabricar outro produto para ser apresentado. A ideia acabou não funcionando, mas a equipe não desistiu e investiu em algo que para muitos, era impossível de ser produzido. Segundo o professor e coordenador de robótica, Joelson Luíz Fernandes, o paver acaba se tornando mais leve, 450g a menos que o normal e também fica mais barato.

“Ele evita a extração de areia para a sua confecção, porque não precisa mais da areia no processo, é utilizada pouca água e sem contar fatores ergonômicos, porque a pessoa que estiver colocando o paver com 400g a menos, ao longo de um dia inteiro faz muita diferença.”

O projeto trouxe benefícios tanto diretos, quanto indiretos. Além de contribuir para uma destinação consciente do rejeito, a substituição de areia, pela cinza pesada, diminui os impactos ambientais, causados pela extração desse recurso natural. Para o professor Joelson, a ideia pode ser utilizada em larga escala, na indústria de qualquer artefato de cimento, já que a substituição da areia no processo de produção, não influenciou em nada na sua resistência mecânica. 

Depois da conquista no torneio, o projeto foi apresentado para a prefeitura do município, para que o produto seja patenteado.

Imagem: Colégio Coração Feliz

Texto por: Isabel Silva