As consequências do álcool para a juventude e sociedade

Sabemos que no Brasil e boa parte do mundo é proibido vender bebidas alcoólicas para menores de idade, mas na prática não é isso que acontece.

Postos de gasolina e estabelecimentos comerciais – incluindo bares, lanchonetes, casas de shows -, não podem vender bebidas para menores de idade e nem permitir o consumo em seus ambientes. Isso está na Lei 13.106/15 sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 17 de março de 2015, onde torna crime o descumprimento da mesma com pena de 2 a 4 anos de detenção e multa de R$ 3 mil a R$ 10 mil, além da interdição do estabelecimento.

A Lei está em vigor, mas não é fiscalizada e muito menos respeitada pela população.

Talvez a proibição não seja o certo a se fazer, mas sim, a fiscalização da entrada de menores de 18 anos em bares e festas.

Vamos regionalizar essa questão para Tubarão, cidade relativamente calma e com pouco mais de 100 mil habitantes.

Hoje, com apenas 15 anos, muitos adolescentes já conseguem permissão dos pais para irem as baladas de quinta a sábado. Vão e voltam sozinhos, bebem, usam drogas, passam mal, vão para o hospital tomar glicose e depois na próxima semana estão repetindo a dose.

Adolescência com liberdade, quem nunca quis?

No meu tempo eu ia em matinês apenas no domingo à tarde – das 16h às 20h – e sempre com minha mãe me deixando e me buscando no local. Só comecei a ir em festa “de verdade” com 17 anos para cima e mesmo assim, mamãe era o “taxi”.

Isso era uma forma de controlar e também não ficar tão preocupada. Era uma liberdade limitada. Tenho que ressaltar também que naquela época as próprias casas noturnas não liberavam a entrada de menores de idade, então havia uma certa ansiedade para os 18 anos. Hoje, a única coisa que os jovens ouvem quando completam 18 anos é: “Já pode ser preso, tome cuidado”. E não pense que eu tenho muito mais do que 18, apenas 23, o que torna tudo ainda mais preocupante. Se em cerca de cinco anos muita coisa mudou em relação a juventude e vida noturna, imagine daqui a dez anos.

Sou promotora de festas para jovens e recebo muitos pedidos para liberar a entrada de “crianças” de 13 anos. Acho um absurdo, minha vontade é mandar comprar uma Barbie com o dinheiro do ingresso – saudades inclusive.

As festas em grande parte são com censura de 16 anos, menores só acompanhados dos pais ou responsáveis legais. A grande questão é: os jovens têm a responsabilidade de ir e voltar de uma balada onde rola música, álcool e as vezes drogas?

Está aí o problema. Eles não têm responsabilidade e não precisarão arcar com elas, afinal, são apenas adolescentes. Portanto, se um sujeito de 16 anos resolve usar droga antes de entrar na balada e depois, curtindo a festa, tem uma overdose, de quem é a culpa?

Da organização do evento, da casa noturna, dos seguranças, funcionários, bombeiros, polícia… Menos do próprio adolescente e dos pais que permitiram que ele tivesse esta liberdade.

Complicado!

Ao meu ver se a casa identificou os menores de idade e não vendeu bebidas para os mesmos, seu dever foi feito. Se o menor ingerir bebida alcoólica do seu amigo maior de 18 anos, o problema é dele. O mesmo se aplica para os “esquentas” e as casas noturnas estão proibindo a entrada de pessoas alcoolizadas, uma boa medida.

Festa open bar? Só para maiores! E coloquem uma fiscalização decente na porta, evitando de verdade a entrada dos adolescentes malandrinhos.

Ao poder público, está na hora de rever essa lei sobre de quem é a culpa.

Afinal, estamos educando as crianças a não assumirem as responsabilidades e os tornando ainda mais inconscientes dos seus atos. A vida não é um open bar, nem para maiores e muito menos para menores.

Por Helena Warmling