Cinema chinês, ascensão e paralisação

Por William Andrades

O cinema chinês em 2010s

Na última década o cinema chinês despontou comercialmente como um dos mais importantes do mundo. A população do país passa de 1,3 bilhões, o que o torna um espaço oportuno comercialmente, inclusive para o cinema.

Atualmente, a China é o segundo maior mercado de cinema, perdendo apenas para os Estados Unidos, o que deve mudar em breve, já que o país passou a ter a maior quantidade de salas de cinema do mundo (e a maioria adaptada ao 3D, que torna o ingresso mais caro), um total de 40.917. É um salto considerável, já que no começo da década a China contava com apenas 6.256 salas em todo o país, e em 2015 fechou o ano com 31.600, um salto de 30%.

O que torna a China um mercado a ser explorado e não uma concorrente direta dos Estados Unidos, é que mesmo com o maior número de salas, pelo menos na maior parte da década, a bilheteria foi menor. Em 2016, nos Estados Unidos, a bilheteria de cinema faturou expressivos US$ 11,1 bilhões. Na China, o maior faturamento foi registrado em 2015 com US$ 6,3 bilhões. Muitos filmes de grande bilheteria costumam ter arrecadamento maior nos Estados Unidos, depois na China e depois em outros países como Inglaterra, França e Brasil.

Tem alguns filmes americanos que são esnobados na bilheteria doméstica, mas acabam não saindo no prejuízo para o estúdio por causa do mercado Chinês. Um dos maiores exemplos disso na década é o filme Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos (2016), que faturou 50 milhões de dólares nos Estados Unidos, enquanto na China passou de 220 milhões.

Assista o trailer oficial de Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos (2016):

Fonte: Universal Pictures Brasil (Youtube)

Os Estados Unidos foram perspicazes em perceber esse mercado chinês e investir no marketing para o país, mas o maior benefício claro que é da própria China. Esse aumento significativo no número de salas de cinema aumentou também o investimento no setor cultural nacional, chegando a 92,8 bilhões de yuans (moeda oficial da República Popular da China, também conhecida por ‘Renminbi’) em 2018. No mesmo ano, o valor agregado da indústria cultural da China representava 4,3% do PIB do país.

Coronavírus

No meio de janeiro a situação da China já era alarmante no que diz respeito ao coronavírus. Diversos filmes tinham suas estreias marcadas para o feriado de Ano Novo Chinês, que se prolonga por sete dias, marcando o início da primavera no país. O feriado começou no dia 25 de janeiro este ano, porém ele não ocorreu da mesma forma que nos outros anos.

Em meio ao surto, muitas distribuidoras adiaram ou cancelaram o lançamento de seus filmes. Isso fez com que, na sexta-feira, dia 24 de janeiro, uma quantidade colossal de cinemas fossem fechados no país. Pelo menos 70 mil salas foram fechadas em 11 mil complexos de cinemas, e se mantiveram assim por quase três meses.

Em 16 de março o primeiro cinema reabriu na China, e sucessivamente por alguns dias começaram a reabrir outros, mais especificamente os que ficam em províncias do país em que o número de infectados diminuiu. Na tentativa de atrair o público, os ingressos estavam mais baratos e algumas sessões estavam gratuitas, porém a iniciativa não teve sucesso. O medo foi maior que a vontade de ir ao cinema, e no dia de abertura ninguém apareceu.

E então, as salas foram fechadas novamente. Houve um novo caso de contaminação comunitária do novo coronavírus que ocorreu na província de Zhejiang, que faz fronteira com a cidade de Xangai. A decisão de reabrir os cinemas de forma gradual animava empresas e empresários no mundo todo, já que os cinemas do mundo todo estão fechados. Porém a China voltou atrás até estarem certos de que é seguro abrir espaços culturais novamente, mas não se tem certeza de quando será isso.

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