Coleta Seletiva: Uma solução pública e individual

O lixo é um dos pilares da saúde ambiental mundial. Não conseguimos viver sem produzi-lo, por isso é necessários meios para reutilizá-lo ou rejeitá-lo sem grandes impactos para o meio ambiente. A coleta seletiva é um método que ajuda a reduzir a poluição desses rejeitos na nossa sociedade e na natureza. Ela ajuda o processo da destinação do lixo, assim facilitando o seu tratamento e possivelmente a sua reciclagem.

Os benefícios da coleta é a diminuição do desperdício de recursos naturais e da poluição, e aumenta a vida útil dos aterros sanitários. O lixo sendo descartado de maneira incorreta afeta áreas urbanas, com seu acúmulo formando focos de proliferação de mosquitos e outros vetores de doenças. Esses resíduos também podem parar em mares e rios através do vento e a chuva. O lixo plástico tem o risco de ser consumido por animais da área, colocando suas vidas em risco.

A acumulação também produz o chorume, líquido escuro e com cheiro desagradável que pode atingir áreas subterrâneas e contaminar solos e as pessoas que mantêm contato com esses rejeitos. Além do perigo de deslizamentos de encostas, assoreamento de mananciais e enchentes.

No Brasil foi implantada a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) em 2010, uma lei federal que destaca os princípios, objetivos e instrumentos para que o gerenciamento de resíduos no país atue de maneira eficiente. Entre esses objetivos são: A erradicação dos lixões; Novos instrumentos no gerenciamento de resíduos; Instituir os planos nacionais, estaduais, municipais e locais de gestão integrada de resíduos sólidos etc.

O PNRS também estabelece a ordem de prioridade de geração de resíduos em: 1) Não geração 2) Redução 3) Reutilização 4) Reciclagem 5) Tratamento 6) Disposição final ambientalmente adequada. Mas os resultados desta lei não foram suficientes, sendo que ainda existem lixões no Brasil, e nenhum plano nacional foi efetivado.

O Relatório de Avaliação por Área de Gestão (nº 9) de Resíduos Sólidos lançado em 2017 destaca como o Ministério do Meio Ambiente faltou em ajudar os estados e municípios com recursos financeiros para estimular os planos locais sobre a solução de resíduos sólidos. Além de outras evidências sobre como o PNRS falhou em atingir suas metas. Sem esse incentivo e sem o estabelecimento claro dos papeis das cidades junto com o governo federal, não será possível alcançar os resultados que a lei exige.

Mas a PNRS incentivou o aumento de municípios que implantaram a coleta seletiva no país. Segundo a Pesquisa Ciclosoft de 2018, realizada pela organização CEMPRE, 1227 cidades (22%) operam com programas de coleta seletiva, em comparação com 2010, apenas 443 municípios atuavam com esse método. Essa coleta é feita através de pontos de entrega voluntários, cooperativas ou porta a porta.

É claro que a existência desses programas não garante a total coleta em todos os bairros dessas cidades. O descarte correto desses materiais é um trabalho em conjunto do governo e cidadãos. A educação ambiental é um dos pontos mais importantes da coleta seletiva, a participação da população é vital para a separação dos resíduos. O lixo pode ser separado em: Papel; Metal; Vidro; Plástico; Orgânico; Resíduos perigosos; Madeira; Resíduos gerais não recicláveis ou contaminados; Resíduos radioativos; Resíduos ambulatoriais e de serviço de saúde.

Além da separação é importante a limpeza, a embalagem e a destinação correta desses rejeitos. Mas antes de todo esse processo, considere evitar o descarte. Muitas embalagens podem ser reutilizadas em casa ou no trabalho. O consumo consciente também ajuda nesta questão, repensar se é mesmo necessário o consumo de algo, evitando ainda mais o desperdício.

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Texto por: Maria Gabriela Capistrano dos Santos