Desistência de Deka May na disputa pela prefeitura de Tubarão embaraça o jogo político

O jogo estava morno. Nenhuma agremiação apresentava novidades. Eis que a desistência de uma peça importante, esquenta todo o processo. Diria que coloca ao ponto de ebulição. Não estou falando de Figueira e Ponte, muito menos de Botafogo e São Paulo. O fato é: Deka May, do PP, não é mais candidato a prefeito na próxima eleição, em Tubarão. Ele alega que problemas familiares pesaram na sua decisão.

Vamos aos fatos. No dia 5 de março, o Partido Progressista, lançou a pré-candidatura do ex-vereador a prefeito da cidade. Diversas lideranças estiveram presentes: o deputado federal e presidente da sigla, Espiridião Amin, e sua esposa Angêla, os deputados estaduais Valmir Comin e João Amin, além de prefeitos, vices e vereadores progressistas da Amurel. Todos enalteceram o nome de Deka e faziam referência ao seu pai, que é considerado um dos melhores prefeitos da cidade de Tubarão, Paulinho May, que faleceu no dia 14 de julho de 2010. Lideranças do PSD, que indicaria o vice na majoritária, também se fizeram presentes, inclusive o suposto ex-futuro candidato a vice, Caio Tokarski.

Num discurso emocionado e aparentemente solidificado, o ex-futuro candidato a prefeito, que minutos antes ganhou de Comin a possibilidade de assumir a vagas deputado estadual por dois meses, fez referências ao seu pai e a sua mãe, que sabidamente tem problemas sérios de saúde.

– Todos sabem bem que minha mãe tem Alzheimer e eu que cuido dela. Quero cuidar de Tubarão com o mesmo carinho – discursou emocionado o ex-vereador.

Nas pesquisas internas de todos os partidos, o pré-candidato pepista aparecia em segundo lugar, próximo de Carlos Stupp, do PSDB. Porém a rejeição de Deka May era irrisória, comparando-a as de Stupp e Olávio Falchetti, atual prefeito, do PT. Ele tinha muitas chances de seguir os passos do seu pai e ser prefeito de Tubarão.

Os problemas familiares não foram as principais dificuldades. Deka, embora querido com a população, às vezes até demais para não chamá-lo de chato, tinha rejeição forte entre os correligionários. Não é raro, em rodinhas na Câmara de Vereadores, ouvir os vereadores pepistas reclamando da atuação dele. Sua fama de avarento não agradava. Dificilmente Deka desembolsaria alguma quantia para custear a campanha. Além disso, muitos baluartes da sigla ficariam fora da coordenação de campanha. Outro ponto que desagradaria grande parte da executiva.

Agora os progressistas trabalham com dois nomes: Joares Ponticelli, deputado estadual quatro vezes, inclusive sendo presidente da Alesc por um período, e, Dionísio Bressan, ex vereador e presidente da Coopagro. Se pepista fosse, optaria por Dionísio, que administra a cooperativa há anos, além de ter comandado a Epagri na gestão do ex governador Esperidião Amin. Ponticelli teve toda sua carreira em casas legislativas, portanto sua imagem não é de administrador.

O partido do governador em Tubarão assiste a tudo de camarote e com a desistência de Deka, o nome indicado deverá ser o do empresário e presidente da CDL Luciano Menezes ou do vereador Nilton de Campos. O superintendente da AGR, Caio Tokarski, teria que adiar o sonho de ter uma cadeira no paço municipal, pois seu perfil se assemelha ao dos possíveis candidatos progressistas.

Quem ganha?

Nas redes sociais muitos têm debatido quem ganharia com essa desistência. Eu diria que pouco muda. Deka perdeu a oportunidade por não ter jogo de cintura, mas o PP, que é o segundo maior partido em número de filiados na cidade, deve apresentar uma nova proposta. Óbvio que se o mundo acabasse e os pepistas não apresentarem candidatos cabeça de chapa, Stüpp seria beneficiado, pois Falchetti tem a rejeição da sua administração e a dos governo federal e o ex prefeito já foi, um dia, alinhado com os progressistas, que foi vice do tucano em duas oportunidades.

O que esperar?

Nenhuma das candidaturas que tenham certa “capilaridade” têm um projeto para Tubarão. Nenhum partido quer ser diferente. Nenhum possível candidato tem feito outra coisa, que não atrair aliados.

Olávio Falchetti, que representava o novo, decepcionou e é muito rejeitado.

Stüpp teve aprovação interessante em dois mandatos, mas os mais de 40 processos na Justiça o atrapalham. O tucano também tem índice de rejeição altíssimo, talvez, eu disse TALVEZ, pelos problemas na Justiça citados anteriormente.

O PMDB deve indicar um vice na chapa do PSDB, ou seja, está sendo PMDB “montando” num projeto para ficar no poder.

O PP não tem mais Deka e está mais perdido que surdo em bingo. O PSD que não tem militância, espera o PP decidir o que quer da vida.

Só um nome pode ajudar os tubaronenses a sair do marasmo político: Expedito, o santo das causas impossíveis. Você é ateu? Então deu “zica”.

Por Nilton Veronesi