Economia & esporte catarinense: da ascensão dos e-Sports a recessão no futebol profissional e amador

Futebol? Paralisado. Atletismo? Sem corrida nas pistas. Não há competições presenciais por conta da pandemia do novo coronavírus. Mas, quando o jogador ganha a pronúncia inglesa “gamer”, o contexto muda. Diferentes dos esportes convencionais, os e-Sports ganharam espaço no cenário esportivo durante as recomendações de isolamento social. O Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLOL), por exemplo, finalizou o 1º split, ou o 1º turno, e o 2º já está em andamento. 

Em Santa Catarina, organizações universitárias realizam disputas on-line, integrando diversos acadêmicos do estado em competições de LOL, CS: GO, Pôquer, Fifa, Xadrez e Canastra. “As atléticas estão abraçando a causa dos e-Sports. Antigamente era mais difícil introduzir a ideia no meio acadêmico, pelo calendário apertado dos jogos tradicionais. No entanto, com a quarentena e todos em casa, os esportes eletrônicos tiveram um salto de demanda absurda”, afirma Igor Tiosso Batistetti, Diretor Operacional da Shiva Entretenimento

Com sede localizada em Florianópolis, a empresa atua há três anos no cenário esportivo catarinense gamer. “Começamos em 2017 com campeonatos pequenos e, hoje, através de muito esforço e trabalho, conseguimos impactar mais de 1000 atletas que já passaram pelos nossos campeonatos”, completa Igor. E é justo essa  experiência que transmitiu a confiança necessária em organizar a Copa de e-Sports Interatléticas Unisul (CEIU), primeira competição da universidade totalmente feita de forma virtual.

A disputa ocorre em dois fins de semana. Divididos em 16 equipes entre os campi de Tubarão, Florianópolis e Pedra Branca, neste sábado (27) e domingo (28), os players estarão on-line na chamada (call), prontos para cada teamfight ou round difícil. Todo o evento será transmitido. “Já tínhamos uma vontade de unir as unidades e fazer um campeonato para integrar todos. Como os jogos eletrônicos são feitos através da internet, não tem a preocupação da locomoção e outros gastos. Isso facilitou e colocamos a ideia em prática”, explica Manuella Fluck Vieira, presidente da comissão organizadora. 

Além de movimentar a economia, a iniciativa passou a atingir um público que, de certa forma, era esquecido. “Entre os feedbacks que já recebemos é que pessoas que antes não eram atingidas pelos torneios presenciais, começaram a se envolver e competir pela sua atlética. Isso é muito importante. É uma oportunidade participativa”, revela Manu. Outro ponto importante são as novas relações sociais. Durante as transmissões, existem canais de conversa, como o chat na Twitch, onde os universitários podem torcer pela equipe do coração e ainda formar novas amizades.

Mas o que são os e-Sport? 
O esporte eletrônico é um segmento competitivo dividido por modalidades, cada modalidade é representada por um jogo, podendo ser jogos de PC como League of legends e Counter-Strike: Global Offensive, jogos Mobile (para celular) como Free Fire ou os mais tradicionais jogos de consoles, como FIFA e Mortal Kombat. O mesmo empenho que um atleta de futebol tem em treinar passes e chutes, os atletas de esportes eletrônicos também têm em aprimorar suas mecânicas dentro de jogo. 

Assim, o conhecimento tático, velocidade de resposta e a capacidade de adaptabilidade são valências fundamentais para obter sucesso nas lanes (zona) e mapas. “Os jogos estão em constante atualização, sempre surgindo algo novo para se aperfeiçoar”, explica o diretor Igor. Em resumo, é muito semelhante a um esporte tradicional. Toda modalidade (jogo) tem sua regra própria, comissão técnica, narrador, juiz, bem como uma infraestrutura por trás para garantir o bom andamento dos torneios.

O gol contra financeiro no futebol catarinense

Futebol Profissional
O futebol aos poucos tenta se despertar em meio a toda a situação do coronavírus. É uma mistura de esperança e preocupação entre os jogadores e as comissões. Para voltar aos gramados, os times precisaram tomar diversas medidas preventivas e segurança. Em Tubarão, existem dois clubes de futebol profissional: o Hercílio Luz Futebol Clube e o Clube Atlético Tubarão. Se era raro encontrar semelhança em rivalidade, as consequências da covid-19 colocaram as duas equipes no mesmo lado do campo.

Nem caneleira preveniu o chute financeiro que o Leão e o Peixe precisaram enfrentar diante da pandemia – e os cofres de ambos já não estavam muito bons. De acordo com o assessor de imprensa do Hercílio Luz, Daniel dos Anjos, o clube está passando por algumas mudanças devido à crise, como a redução da carga horária e dos salários. Outro ponto que o assessor destaca é em relação às novas contratações que, neste momento, não é possível realizar nenhum acordo. Assista a entrevista a seguir:

Do outro lado dos trilhos, no estádio Domingos Silveira Gonzales, Joca Zappoli, diretor executivo do Tubarão, esclarece que o clube precisou tomar algumas providências para o cenário pandêmico, como liberar 90% dos funcionários e jogadores do elenco. Houve também uma redução do horário de trabalho. As decisões que o clube tomou tiveram como base as medidas tomadas pelo Governo do Estado e da Cidade Azul. A equipe também cedeu o estádio para a Secretária de Saúde de Tubarão para poder servir de alojamento dos funcionários da área. Veja mais detalhes na entrevista a seguir:

Futebol Amador
A situação enfrentada pelo futebol amador não é diferente. As disputas da Liga Tubaronense de Futebol (LTF) estão suspensas e os clubes parados, como é o caso do time Sul América FC. O Verdão do Morrotes, como é o apelido da equipe, precisou se reinventar e buscar maneiras de inflar o caixa para garantir a permanência em disputas municipais e regionais. O presidente do clube, Edmar de Oliveira, ressalta como é a realidade da modalidade. “Geralmente um clube de futebol amador, vive de eventos com seus salões, de locação dos campos de futebol para jogos de veteranos, depende de bingos e rifas e por causa do Decreto Estadual, que proibiu as aglomerações e outros tipos de eventos para não disseminar a covid-19, isso está impossibilitado de acontecer”, diz.

Prejuízo em números
O prejuízo durante os primeiros meses da pandemia são, quase que exclusivamente, na redução salarial e na não renovação de contratos. A equipe Mural realizou uma pesquisa de dados sobre as consequências nos cofres de três clubes tradicionais catarinenses. No início de maio, o Joinville Esporte Clube (JEC) anunciou medidas para controlar o déficit financeiro. Quatro jogadores que estavam no elenco profissional não tiveram seus contratos renovados. A comissão técnica e jogadores do JEC que recebem mais de 3 mil reais tiveram seus salários reduzidos em 25%.

O presidente em exercício do Avaí Futebol Clube, Amaro Lúcio da Silva, divulgou em maio, que o elenco também teria o salário reduzido em 25%, enquanto os demais funcionários do clube sofreram uma diminuição de 50% na folha de pagamento. Da Grande Florianópolis para o Sul catarinense, o Criciúma Esporte Clube precisou tomar uma medida mais drástica nos primeiros meses do isolamento social. Em um comunicado oficial publicado no dia 24 de abril no site do time, seis atletas do elenco profissional não tiverem o contrato renovado e a redução salarial no clube chegou a 70%.

Veja também > https://mural.unisul.br/mundo-pos-coronavirus-economia-digital-tera-maior-poder/

Edição: Kamila Melo.

Reportagem: Amanda Pase, Luíza Hennemann e Maria Júlia Machado.