Há o que “temer”?

Desde as eleições de 2014, os holofotes da mídia estão voltados para Brasília. Mais ainda quando, no final do ano passado, o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autorizou a instalação do processo de impeachment contra a Presidente da República, Dilma Rousseff.

No dia 17 do mês passado, o processo passou pela Câmara dos Deputados, que precisava de dois terços dos votos para dar prosseguimento ao rito. Resultado: 367 votaram a favor e apenas 136 contra a abertura do processo, que foi então parar no Senado. Na Casa Legislativa, bastava apenas maioria simples votar pela admissibilidade do processo, que a presidente seria afastada. Dos 81 senadores, três estavam ausentes, 55 votam a favor e 22 contra, além de uma abstenção.

No Palácio do Jaburu, a casa oficial do vice-presidente da república, o clima era de festa. Michel Temer, que vinha se articulando há tempos, já tinha em mente boa parte das ações que tomaria caso viesse a assumir a Presidência da República, mesmo que ainda interinamente, por 180 dias.

O mercado financeiro parece ter respondido bem ao novo governo, ainda que esperando por medidas que possam fortalecer a economia. Quem terá essa dura missão de fazer o Brasil ter uma retomada no crescimento é o novo Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central.

Meirelles agora faz parte de um grupo de novos ministros do governo. Essa, aliás, foi uma das primeiras medidas do presidente em exercício. Temer foi cortou nove ministérios para reduzir os gastos. Também anunciou que vai manter a maioria dos programas sociais iniciados no governo petista, como o Bolsa Família e o Prouni, por exemplo. Com poucos dias à frente da presidência, Temer também já anunciou que fará uma reforma na previdência.

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No entanto, não são tudo flores no novo governo. Dos 23 novos ministros, nove estão sendo investigados na Operação Lava-Jato, o que gerou muita discussão e questionamento. Na saúde, a falta de recursos está ameaçando afetar programas essenciais de saúde, como o “Samu” e o “Aqui tem farmácia Popular”. No começo da semana passada, o último já sofreu um corte de R$ 315 milhões dos R$ 2,7 bilhões previstos para este ano. Na área econômica, o aumento de impostos e a volta da CMPF também podem gerar dores de cabeça ao novo governo. Michel Temer também terá a dura missão de manter conversas com movimentos sociais, como o MST e centrais sindicais, como a CUT, que hoje recusou um convite do presidente em exercício, para participar de uma reunião sobre reforma previdenciária Na resposta, a Central Única dos Trabalhadores, aliada do PT, disse que não reconhece um governo golpista como governante.

O que se prevê é que muitas dúvidas e incertezas vão tomar conta da política brasileira pelos próximos anos. Agora nos resta ficar atentos, ter senso crítico e cobrar dos governantes para transformar o Brasil em um país melhor a cada dia.

Por Pedro Garcia