Mesmo com novos decretos e restrições, números de casos de coronavírus continuam crescendo

Bares fechados, mudança de horários e lockdown de fim de semana: veja a opinião de artistas e empresários do ramo.

Dona Nilce mora na casa mais antiga de Tubarão, localizada no bairro Sertão dos Correias. Vaidosa, acolhedora e falante, permanece isolada, protegendo-se da pandemia. Foto: Kamila Melo

Após um ano do início da pandemia do novo coronavírus, os números de casos e mortes crescem aceleradamente. O governo do Estado de Santa Catarina, decretou, no dia 25 de fevereiro, a suspensão do funcionamento de serviços não essenciais durante o fim de semana. Segundo a assessoria do governo, a decisão era mais uma medida do Executivo estadual para reforçar o enfrentamento ao coronavírus, em um momento de agravamento da situação sanitária em Santa Catarina.

As medidas do decreto se estenderam pelo mês de março, e chegaram ao fim na sexta-feira (19). Um novo decreto foi publicado no mesmo dia, trazendo novas regras ao combate à pandemia. As proibições seguem as mesmas medidas de proibição de casas noturnas, shows e qualquer tipo de reunião de caráter público ou privado. A comercialização de bebidas alcoólicas em estabelecimentos segue proibida das 18h até as 6h. Comércio e shopping centers estão liberados para abertura e funcionamento. A validade do decreto vai até o dia 5 de abril.

Mesmo com decretos e restrições, Santa Catarina e o Brasil veem o número de mortes e casos aumentarem a cada dia. Na terça-feira (23), o país bateu o recorde de maior número de mortos em 24 horas. Foram 3.251, segundo dados enviados pelos estados ao Ministério da Saúde e ao Conass (Conselho Nacional de Secretários da Saúde).

Na sexta-feira (19), dos novos decretos, o hospital Socimed, que atende pessoas de toda a Amurel, publicou um comunicado avisando o fechamento do pronto atendimento por cinco dias, em decorrência da superlotação pela pandemia da Covid-19. 

Após se passarem os 5 dias, o comunicado perdeu o vigor, visto que na segunda-feira (22), foi publicado outro aviso. Através das mídias oficiais do hospital, informaram que o pronto-socorro foi reaberto com restrições, porém os atendimentos particulares continuam suspensos.

Comunicado Publicado nas Mídias Sociais do Hospital Socimed

O Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos, em Laguna, também informou em comunicado em suas redes sociais, nesta segunda-feira (22), a ocupação máxima em capacidade de leitos destinados à Covid. E alerta a população a procurar o hospital em casos de extrema necessidade.

Covid-19 e serviços de delivery

O serviço de delivery passou de um diferencial para a nova necessidade do mercado, em diferentes segmentos.  Estimulando o maior consumo e influenciando hábitos da população, seja pelo aumento de pedidos nos aplicativos de entrega ou as novas alternativas dos empresários devido a pandemia do Covid-19, esse mercado se tornou ainda mais fundamental para a população.

Em nossa reportagem em áudio, o repórter Eduardo Mota conversou com o infectologista Rogério Sobrosa sobre a atual situação da pandemia De Covid-19 e também  com um empresário do ramo alimentício, que informou sobre as vantagens do delivery ao seu negócio.

Na contramão de empresas que estão fechando, Fernando Ramos resolveu abrir o seu negócio durante a pandemia. A cervejaria Seival, no centro histórico de Laguna, foi aberta no meio do ano de 2020. Para ele foi desafiador, mas ao mesmo tempo uma realização. Fernando, que antes trabalhava em uma agência de viagens, resolveu desenvolver seu novo negócio. “Foi um ano de altos e baixos, mas de muito aprendizado. Desenvolvi aptidões que nem sabia que tinha”, diz o empresário. 

Os decretos e restrições durante os fins de semana afetaram diretamente o faturamento da cervejaria, “tivemos uma redução de 90% no faturamento”, explica. Ramos também precisou reduzir o número de funcionários, antes trabalhavam com ele cinco freelancers, hoje está trabalhando sozinho. Por seu produto ser a cerveja artesanal, a empresa não se adaptou bem ao delivery, “as pessoas não compram cerveja artesanal para beber em casa, elas gostam de viver a experiência de estar no bar, ouvir as dicas do sommelier, estar na praça, ao ar livre”, explicou.

Ramos acredita que se houvesse fiscalização dos órgãos competentes o suficiente, não teria esse crescimento de casos. Segundo ele, em muitos locais a fiscalização não foi feita e os excessos foram cometidos. O desejo de Fernando é que abram os estabelecimentos, mas que consigam fiscalizar e multar quem quebra os protocolos.

A visão de quem vive de perto as restrições da pandemia

Um dos setores mais afetados com esse um ano de pandemia, devido ao Covid-19, foi o setor de eventos. Algumas boates e festas fecharam as portas, ou tiveram que se reinventar.  Eclipse era o ponto de encontro de jovens na região, principalmente dentro da comunidade LGBTQIA+. Com a pandemia passou por muitas mudanças. Fernando Nunes, 33 anos, dono da boate Eclipse em Tubarão, conta que a maior dificuldade com a explosão da pandemia foi planejar algo para o futuro. “Mesmo com a flexibilização, nosso setor continuou parado”, explicou. A solução que encontrou foi abrir como um ‘pub’, para não fechar durante todo esse tempo.

“As medidas restritivas nos deixaram limitados”, explica Fernando. Durante todo esse momento ele conta que várias vezes teve que mandar clientes voltarem em outro dia, devido à limitação de pessoas no decreto. A boate estava acostumada a receber de 350 a 400 pessoas por festa durante os fins de semana. Hoje pode receber 20% desse número. Fernando fala sobre os novos decretos do fim de semana que aconteceram nas últimas semanas, “estamos praticamente Há um mês sem trabalhar e vemos o número de contágios aumentar e as pessoas em hospitais aguardando leito em UTI”.

Segundo o empresário, muitos estabelecimentos estão fechando, e o governo precisa olhar para quem tem CNPJ também. “A gente paga muitos impostos, geramos empregos, e nessa hora, sinto a falta do governo, em apoiar quem realmente está precisando”, explica. A solução, segundo Fernando, “uma linha de créditos com juros justo, é muito melhor que deixar o empresário fechar as portas”, finalizou.

O aumento de casos e mortes, para Fernando, é responsabilidade de todos. Segundo ele, a maioria das pessoas “relaxaram” durante o fim de ano e o carnaval, acredita que as pessoas não se cuidam mais como é o recomendado pelos órgãos de saúde. Sobre um possível lockdown mais severo, ele enfatiza que “todos têm que ajudar”. Para o empresário, se todos os setores não essenciais parassem juntos, o tempo de restrição seria menor e ele acredita que voltariam mais rápido a trabalhar.

Cícera Rodrigues está vivendo um processo de transição capilar, sob os cuidados da cabeleireira Dani Santana. Durante os procedimentos, todos os protocolos da Covid-19 estão sendo respeitados. Foto: Kamila Melo

João Augusto Inacio, mais conhecido como Jojô, músico e produtor de São Paulo, Trabalha no mundo da música com artistas como Johnny Hooker, Esteban Tavares e Filipe Catto. Para Jojô, esse ano de 2021 está sendo melhor profissionalmente do que O ano passado. Apesar de não querer usar a palavra “melhor” para descrever esse momento, não encontrou outra. Para o músico, o ano passado foi um tempo para perceber que no Brasil, a questão da pandemia vai demorar para passar. “Acho que todas as pessoas ligadas às artes de alguma maneira perceberam que vão ter que fazer as coisas independentemente da pandemia e do governo”, enfatizou.

Jojô vive exclusivamente da música, e com a proibição de shows e eventos percebeu que sendo só músico não conseguiria sobreviver. Teve que colocar coisas que fazia em menor grau, como primeiro plano. “Um número legal de artistas veio me procurar para produzir música”, explica. Jojô. Além de ser músico e acompanhar os artistas em shows, agora é produtor. Para ele, ser criativo e produtivo no meio desse caos da pandemia é difícil. Apesar de artistas usarem momentos difíceis como inspiração para criar, Jojô explica que não é só uma fase ruim, esse momento “é uma sensação constante”, explica.

Sobre o lockdown, o músico é totalmente a favor. Mas salienta que “o lockdown acaba sendo uma questão de privilégio”, para ele, é o momento de o Estado tornar o isolamento algo possível. Para Jojô, o governo faz um péssimo gerenciamento da pandemia, e trata como se não fosse prioridade.

“Bolsonaro deixou de comprar vacinas. Ele nega a pandemia. Acho que a maneira que ele está lidando é a pior possível e os dados estão aí para provar isso”, finaliza. 

Antônio Ghizzo Júnior é conhecido como Tonico na empresa que trabalha. Ele visita diversos clientes para realizar seu serviço e não abre mão do uso da máscara. Foto: Kamila Melo

Decreto 5.845: mudança nos horários do comércio de Tubarão

Com o intuito de não prejudicar quem depende do transporte público ou os trabalhadores que estudam no período noturno, um novo decreto foi firmado na quarta-feira (24), pelo Prefeito de Tubarão,Joares Ponticelli, no qual retornam os horários de funcionamento do comercial à sua normalidade, na cidade de Tubarão. 

Pelo decreto 5.845, o comércio de rua – exceto as atividades consideradas essenciais – tem permissão para funcionar das 8h às 20h. O comércio de bebidas também funciona no mesmo horário, das 8h às 20h, e com atendimento na modalidade tele entrega em qualquer horário.

Já para restaurantes, bares, pizzarias, sorveterias e afins, está permitido o funcionamento das 10h às 22h, com limite de ingresso de novos clientes até as 21h. E por fim, o consumo de bebidas alcoólicas nos estabelecimentos após as 18 horas está proibido.

Felipe Nascimento, diretor executivo da CDL Tubarão, afirma que essas mudanças repentinas dos decretos deixam todos confusos, mas que foi necessário o prefeito de Tubarão tomar uma providência, era inviável para os trabalhadores conseguirem conciliar o transporte, família e estudos no horário previsto pelo governo do Estado.

“Aconselho a todos os comerciantes que se cuidem, e principalmente, cuidem para que seus estabelecimentos cumpram todos os protocolos de segurança”, finaliza Felipe.

Antecipação do feriado no Rio de Janeiro

No estado do Rio de Janeiro, uma das medidas tomadas no combate DA Covid-19 foi antecipar e prolongar o feriadão de Páscoa. O decreto publicado na noite de quarta-feira (24), estipula um feriadão de dez dias, entre 26 de março e 4 de abril, para conter o avanço da Covid-19 no Rio.

Para evitar aglomerações, o governador em exercício, Cláudio Castro, determinou o reforço da participação do Corpo de Bombeiros na força-tarefa de fiscalização de prefeituras do estado, especialmente no combate às festas clandestinas.

Confira a nossa reportagem em vídeo, feita pelo repórter Fhillype Costa, diretamente do Rio de Janeiro.

Texto: Jean Domiciano, Maria Luiza Inácio e Ester Martine.
Áudio: Vinícius Barbosa, Eduardo Mota Pereira e Amanda Pase
Vídeo: Higor Stork, Fhillype Costa e William Andrades.
Fotos: Kamila Melo

Cada um de nós, nessa luta contra o Covi-19, tem um papel importante. O nosso maior conselho no momento é: quem puder fique em casa! 

Estudantes de Jornalismo da Unisul

Fonte: Prefeitura de Tubarão