Na linha de frente contra a pandemia

Profissionais de saúde contam um pouco de suas rotinas na luta contra a Covid-19

O mundo contabiliza mais de 2 milhões de infectados pela Covid-19 segundo a universidade norte-americana Johns Hopkins. O cenário criado pela doença tornou o trabalho de médicos, enfermeiros, técnicos e demais funcionários da área da saúde fundamental durante a pandemia, pois os profissionais têm atuado na linha de frente desta batalha contra o novo coronavírus.

A coordenadora do curso de Medicina da Unisul, Maria Zélia Baldessar, destaca o trabalho dos acadêmicos como voluntários durante a pandemia. Já a enfermeira Tainá Knabben, que atua no Hospital São José da cidade de São Martinho, relata as dificuldades enfrentadas no Sistema Único de Saúde (SUS) para atender casos suspeitos da doença. Assista o vídeo a seguir.

Cenário pandêmico

Toda ajuda é bem-vinda no momento de pandemia: por isso, os acadêmicos do internato médico da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), em Tubarão, foram convidados a trabalhar no combate ao novo coronavírus em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e também em Call Center durante o período de quarentena. Como incentivo, a atuação durante este período valerá com carga horária do estágio curricular obrigatório, o que fez com que todos se inscrevessem.

A turma da 10ª fase do curso de medicina possui 45 alunos, sendo que a maioria está atuando em Tubarão e outros em suas cidades natais. A acadêmica Fernanda Brígido está atendendo na UBS de Santo Antônio de Pádua, na cidade azul. Ela examina os pacientes que chegam com queixas de urgência e emergência, mas sempre sob orientação da médica formada que atua no local. Por dia, a carga horária de trabalho da estudante varia de 3 a 5 horas, pois é necessário fazer rodízio entre os outros alunos que estão na mesma unidade que ela.

“A oportunidade de poder estar atuando durante este período está sendo válida, pois é uma forma de nós, acadêmicos, não ficarmos sem contato com pacientes e com doenças rotineiras do meio médico, permitindo assim que nosso processo de aprendizagem seja menos prejudicado com o cancelamento das aulas”, conta Fernanda.

Para a futura médica, o cenário pandêmico é uma realidade necessária de ser enfrentada e os profissionais precisam, desde já, aprender a lidar com situações como esta. Segundo a acadêmica, a quantidade de profissionais alocados tem atendido a demanda dos pacientes.

Falta de conscientização sobre o novo coronavírus

Já para a médica Talita Menegali, que atua na Prefeitura de Tubarão, houve uma conscientização da população nos primeiros 15 dias de isolamento. Porém, com a abertura do comércio e outros estabelecimentos, as pessoas estão indo às ruas, inclusive sem uso de máscaras, o que aumenta o risco de transmissão e a procura nas unidades se torna maior.

Com intuito de melhorar as orientações dos pacientes e repassar algumas informações e pedidos sobre consultas e receitas, a unidade de saúde do bairro onde Talita atua criou um número de WhatsApp que está facilitando bastante a comunicação com a comunidade, diminuindo a ida ao Posto de Saúde. 

Impactos negativos da Covid-19

foto: Bárbara Girardi

Letícia Galvani Elias Becher, líder de recepção do Laboratório Santa Catarina, observou uma diminuição de 70% no fluxo de pessoas logo no início da pandemia. Mas de acordo com a profissional, esse número vem gradativamente aumentando. Hoje, estão com 50% do fluxo habitual. “Nossa preocupação traz uma tensão para o ambiente, por isso, mesmo que nosso fluxo não seja mais o mesmo, trabalhamos na mesma intensidade” explica a profissional.

A técnica de enfermagem do Hospital Nossa Senhora da Conceição, Taynara De Pieri, comenta um pouco sobre como é lidar com essa carga extra de estresse que a pandemia do novo coronavírus trouxe ao trabalho dela e de outros profissionais da área da saúde. Escute no áudio a seguir.

O bem estar psicológico dos profissionais da saúde em meio à pandemia.

A médica Talita desabafa sobre conviver com a tensão pelo risco de ser contaminado a qualquer momento pelo novo coronavírus. Mas há também profissionais da saúde que lidam, todo dia, com a preocupação de contaminar membros de suas famílias. A grande dificuldade diária é conviver com a distância dos entes queridos, o que causa estresse e esgotamento emocional.

“Por fim, minha palavra é gratidão a todos que estão conosco neste momento e que a esperança possa ser nosso apoio. Que possamos tocar o coração das pessoas, dar coragem, braço que envolve, silêncio que respeita, alegria que contagia e palavra que conforte”, finaliza a médica.

Créditos
Reportagem em vídeo
Repórter: Bruno Matos
Produção: Kauana Mulinari
Edição: Bianca Selhorst

Reportagem em áudio
Repórter: Sarah Hilgert
Produção: Julia Zelindro
Edição: Vinícius Pacheco

Reportagem de texto
Repórter: Silvana Maurílio
Imagens: Bárbara Girardi
Edição: Maria Luiza do Nascimento

Editora Geral: Bianca Selhorst