Pedágios no trecho sul da BR-101 começam a funcionar na segunda quinzena de Março

Pedágio no município de Laguna

A partir da segunda quinzena de março deste ano, a Concessionária Catarinense de Rodovias S.A (CCR Via Costeira) dará início à cobrança dos pedágios, em quatro praças instaladas no trecho sul da BR-101, em Santa Catarina, entre os municípios de Paulo Lopes e Passo de Torres, com 220,42 quilômetros de extensão. Os pedágios serão cobrados nos municípios de Laguna, Tubarão, Araranguá e Passo de Torres. Segundo a Agência Brasil, o valor estipulado é de R$ 2,10, um deságio de 62% em relação ao valor inicial previsto no edital de licitação da concessão (R$ 5,19).

Iniciado em agosto de 2020, o contrato de concessão tem duração de 30 anos e prevê mais de R$ 7 bilhões em investimentos. A assessoria de comunicação da concessionária, pontuou que as obras serão de 98,3 quilômetros de faixas adicionais, 70,3 quilômetros de vias marginais, 18 passarelas, 42 retornos, renovação de 31 acessos, 25 novos pontos de ônibus, nova iluminação ao longo do percurso e monitoramento de 100% do trecho, por meio de 235 câmeras. Além disso, a CCR também fornecerá alguns serviços aos usuários.

A assessoria da CCR ViaCosteira explica que “visando garantir mais segurança, conforto e tranquilidade, começou no domingo, dia 07, a oferecer uma estrutura gratuita completa de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU) na BR 101 Sul, em Santa Catarina. São bases são de atendimento, viaturas de apoio e socorro médico e mecânico, além de inspeção do tráfego entrando em operação”.

Toda essa operação acontece em sistema integral, segundo eles “24 horas por dia, todos os dias da semana”, à disposição do usuário sempre que ele necessitar de algum apoio durante o percurso. No total são 4 Bases de Atendimento ao Usuário, 2 Bases Operacionais e 19 equipamentos, além de diversos outros serviços.

Em matéria de vídeo, o repórter Vinícius Barbosa Vieira deu detalhes sobre a concessão do trecho sul da BR-101 em Santa Catarina, as melhorias efetuadas pela concessionária, as obras, o montante de investimentos, os serviços oferecidos gratuitamente e também entrevistou o diretor-presidente da CCR Via Sul, Fausto Camilotti, que relatou os serviços oferecidos dentro das praças de pedágio.

Melhorias da rodovia

Antes do início da cobrança, a concessionária realizou diversas obras de melhoria nas condições da rodovia. Segundo a assessoria “este investimento nos trabalhos iniciais acontece através das diversas frentes de serviço que atuam ao longo da rodovia. São trabalhos como revitalização e recuperação do pavimento com troca da camada asfáltica, renovação de toda a sinalização vertical e horizontal, além da implantação de dispositivos de segurança viária e revitalização de toda a iluminação já existente. Além disso, outras equipes também realizam trabalhos de manutenção e conservação da rodovia, através de roçada, capina, limpeza geral das pistas com retirada de resíduos, pinturas, até a recuperação dos sistemas de drenagem, como sarjetas e canaletas”.

A opinião de funcionários da CCR Via Costeira

Em nossa reportagem por áudio, Fhillype Costa conversou com funcionários da CCR Via Costeira, que deram detalhes das exigências necessárias para o início da cobrança e como o dinheiro arrecadado será revertido em melhorias para a via.

A assessoria também destaca os empregos gerados. “No total, serão aproximadamente 3,7 mil empregos com contratação de 100% de mão de obra local, contribuindo com o desenvolvimento regional. Até agora a CCR ViaCosteira já investiu R$200 milhões em obras e serviços ao longo do trecho. Tudo isso para restabelecer as condições de trafegabilidade e, especialmente, aumentar a segurança dos usuários”.

A concessão da rodovia para a iniciativa privada e cobrança de pedágios no trecho causou polêmica na região, com mobilização das lideranças políticas e realização de audiências públicas que questionavam a necessidade de quatro praças de pedágio dentre 220,42 quilômetros de extensão. Apesar dessas mobilizações, a licitação prosseguiu, tendo a CCR como vencedora.

Trecho da BR-101 com nova iluminação, no município de Imbituba

A visão do público sobre os pedágios

Mesmo com a consolidação da cobrança e instalação dos pedágios, algumas pessoas não têm recebido bem essa situação e reclamam que quatro pedágios na região é um número muito alto. É a opinião do servidor público Jonas de Medeiros Goulart, de 29 anos. “Eu achei que o número de praças foi exagerado sim, levando em consideração o trecho em que foram implantadas. Torna custosas movimentações curtas e rotineiras”. Jonas, morador de Tubarão, afirma que se desloca todos os dias até Araranguá e nesse trajeto precisa passar por duas praças de pedágio. Em suposição ele explica que “se precisar ir até Florianópolis será o mesmo número de praças, em um trajeto que tem o dobro de distância”. Para Jonas, a quantidade de praças no trecho sul da BR-101 é exorbitante. “Não faz sentido pra mim. Eu acharia até justo uma praça a menos no trecho sul, três já estavam de bom tamanho e olhe lá”, justificou.

Jonas ainda acrescenta a possibilidade da formação de filas no verão. “Em épocas de muito movimento, como a gente está acostumado aqui, principalmente no verão, creio que vamos ter enormes congestionamentos em cada praça.”

Sobre pontos positivos dos pedágios e as melhorias na rodovia, Jonas argumenta que o principal benefício será o atendimento feito aos motoristas na via, mas que espera mais melhorias, sobretudo no que se refere à iluminação e segurança. “Espero obras maiores também, como acessos, passarelas, vias laterais. Se isso demorar a acontecer, eu serei um crítico”, pontuou.

Quanto aos valores da cobrança, Jonas destaca que o preço está um pouco acima, mas que em outros estados os valores são maiores e que tudo vai depender do que será oferecido na rodovia.

O estudante Aurino Fernandes, de 30 anos e morador de Imaruí, também opinou sobre a instalação dos pedágios. “Eu acho que quatro praças é muito, mas tem que ver o estudo e o que eles fizeram para chegar a esse número, porém ainda acredito que poderia ser menos”. Ele também argumentou que, uma vez que tenham as praças e a cobrança do valor seja feita, espera que a manutenção da via seja bem feita também. “Já que o estado não tem capacidade de manter, pelo menos, um lado positivo dos pedágios é o cuidado e a manutenção da via. Eu não ando por toda a estrada, mas pela parte que eu ando, eu estou gostando do serviço da CCR, inclusive em partes que estavam abandonadas há muito tempo e que agora, estão recebendo manutenção”. A respeito dos valores, o estudante crê que o valor é alto, contudo, ressaltou que “no Brasil, o preço de qualquer coisa está elevado e o pedágio não é diferente disso”.

Para mais informações e dúvidas sobre o pedágio no trecho sul da BR-101, a CCR ViaCosteira disponibiliza um atendimento por telefone: 0800 255 55 50.

Reportagem em vídeo
Repórter: Vinícius Barbosa
Edição: Kamila Melo

Reportagem em áudio
Repórter: Fhillype Costa
Produção: William Andrades
Edição: Higor Stork

Reportagem de texto
Repórter: Eduardo Mota Pereira
Imagens: Maria Luiza Inácio
Edição: Jean Domiciano

Editor Geral: Eduardo Mota Pereira