Saúde e economia: a rivalidade que merece empatia

Uma arquibancada dividida por duas equipes. Enquanto uma defende a abertura da economia a outra vê o isolamento social como a melhor prevenção 

Lojas vazias. Fábricas paradas. Pessoas isoladas. A nova realidade moldada pelo novo coronavírus parecia tão longe, lá do outro lado do mundo. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, antes mesmo da doença atingir o país, já declarava sua opinião: “é só uma gripezinha”. Certo ou errado, existem pessoas que compactuam e se dividem nos dois lados de um debate intenso, entre o que deve ser priorizado no enfrentamento a pandemia – a saúde ou a economia. 

Em Santa Catarina, cerca de 406 mil pessoas já perderam o emprego desde o início da crise provocada pelo vírus. Os dados foram coletados com mais de 4 mil empresários de todo o estado, entre os dias 13 e 14 de abril e divulgados pelo Sebrae. Mesmo com o Auxílio Emergencial, os desempregados dificilmente têm uma perspectiva de vida e passam a contar, pelo menos enquanto perdurar o isolamento, com a solidariedade de quem pode doar alimentos, roupas e outras necessidades básicas. 

Com a recessão cada vez mais preocupante, o governador Carlos Moisés decidiu abrir as portas dos estabelecimentos comerciais no início de abril e, nesta segunda-feira (20), anunciou que igrejas, templos religiosos, academias, shoppings centers poderão retomar as atividades. Normas foram estabelecidas, higienização frequente e em alguns municípios o uso de máscara se tornou obrigatório para sair às compras e vendedor também precisa usá-la. 

Contudo, a reabertura da economia, por mais calorosa que seja a recepção por parte do time econômico, não agrada os profissionais de saúde e todos aqueles que defendem o isolamento social como principal medida de prevenção da Covid-19. Sem previsão para uma vacina efetiva e incertezas nos remédios de eficácia, para este grupo, ficar em casa é a melhor saída. Não se sabe exatamente como se dividem os infectados. 

Gráfico utilizado pelos infectologistas para explicar como pode ocorrer o colapso no sistema de saúde.

Enquanto uma maioria tem poucos (ou nenhum) sintomas e se cura sozinha; uma minoria precisa de hospitalização; uma parte desses vai para a UTI, e uma fração morre. O time da saúde tem um mantra conhecido mundialmente: “achatar a curva”. O termo se refere ao esforço para reduzir o ritmo de transmissão do vírus e assim permitir que o número de casos que necessitem de hospitalizações não supere a quantidade de leitos hospitalares disponíveis.

Perante ao dilema de opiniões, não cabe a autora desta reportagem discernir qual a melhor direção a ser escolhida. Mas, ela lembra: cada ser humano tem suas razões para defender  e decidir estar desse ou daquele lado da arquibancada. Por isso, a empatia, mais do que nunca, precisa ser cultivada.  É através dela que nos tornamos sensíveis às diferentes realidades e seres humanos. Cada um salvará aquilo que sente ser o essencial para si. 

Por Kamila Melo

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