Sul do estado entra na terceira semana de isolamento social

Com ruas vazias e estabelecimentos fechados, o novo coronavírus está deixando a população do mundo inteiro confinada em suas casas, transformando a rotina das cidades em um feriado sem fim…

Desde que o primeiro caso de coronavírus foi notificado no país no final de fevereiro, a contaminação tem se alastrado em uma velocidade alarmante. Contabilizados um mês após a chegada do vírus no Brasil, o país já conta com 77 mortes e 2.915 casos confirmados. Assim como todos os estados brasileiros, Santa Catarina entrou em estado de emergência no dia 17 de março, decretando o fechamento de todos os seus serviços não essenciais e colocando seus moradores em quarentena.

No sul do estado, as cidades acompanham as medidas de restrição impostas pelo governo. Uma das primeiras e principais ações foram tomadas no setor de turismo, restringindo a entrada de pessoas de fora nas cidades, fechando o comércio, encerrando as atividades em hotéis e pousadas, suspendendo eventos e o funcionamento de locais turísticos. As medidas visam, principalmente evitar a aglomeração de pessoas como uma forma de conter o contágio.

Segundo a Turismóloga do Departamento de Turismo de Tubarão, Josiane Linhares, a restrição impactou o turismo do município trazendo prejuízos financeiros para o setor, mas o governo já está trabalhando em formas de viabilizar auxílios para os empreendedores da área. Umas das medidas adotadas foram a postergação do pagamento do alvará de funcionamento dos estabelecimentos e do ISS (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza).

Apesar da preocupação econômica, as autoridades de Tubarão também estão adotando os devidos cuidados para proteger seus cidadãos e os eventuais turistas da cidade. “A prefeitura está informando as formas de se precaver, mandando informativos de como se prevenir contra o vírus. Foram criados também plantões de atendimento junto com a policlínica central para atender quem estiver sentindo algum sintoma”, explica a Turismóloga.

O governo de Tubarão ainda aplica multa as pessoas e estabelecimentos que não cumprirem as medidas de restrição, como afirma Josiane Linhares. “O policiamento já está ostensivo em fase de ver o que a pessoa realmente está fazendo na rua, se está se deslocando a procura de algum serviço essencial ou se é algum trabalhador desses estabelecimentos que podem continuar em funcionamento”.

Assim como Tubarão, Imbituba também é outra cidade da região que está seguindo diversas ações para proteger seus habitantes. Além da imposição de quarentena a população, o prefeito Rosenvaldo da Silva Júnior também reforçou a fiscalização em pousadas e barreiras da cidade, impediu a circulação de carros de outros lugares e motorhomes, restringiu o acesso as praias e proibiu qualquer tipo de turismo na cidade. “Tem muitas pessoas viajando, achando que estão de férias e não é, é um momento de isolamento, estar nas nossas casas para evitar o contagio, então é importante que estejamos todos cientes” afirmou o prefeito.

Queda financeira

Em meio a toda essa crise, uma das principais preocupações de muitas pessoas é com a sobrevivência da economia, que sofre grandes impactos, não só no Brasil, mas no mundo todo. O turismo é um dos setores mais prejudicados pela pandemia, o pânico causado pelo COVID-19 deixou cidades desertas, comércios fechados, hotéis vazios, voos e viagens adiadas ou canceladas.

Segundo o presidente-executivo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), Alexandre Gehlen, o volume de reservas poderá cair de 70% a 90% até o final de abril. Manoel Linhares, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), afirmou que mais de 50% dos parques do país estão fechados e 90% das reservas para eventos foram cancelados. A Associação Brasileira de Agência de Viagens (ABAV) apresentou uma taxa de cancelamento de viagens de 85% no mês de março.

Em março de 2019, o faturamento do setor chegou a R$ 19,2 bilhões, mas para esse ano os números não são nem um pouco positivos, já que se prevê uma perda de US$ 30 bilhões só no setor da aviação. Considerando a importância do Turismo para a economia mundial, sendo que ano passado ele gerou empregos para 1 a cada 10 pessoas no mundo, entende-se a preocupação dos profissionais da área, que exigem do governo medidas de apoio nessa situação.

O que está sendo feito

Assim que o país entrou em estado de emergência, o Ministério do Turismo passou a integrar o Centro de Operações de Emergências em Saúde Púbica para o novo coronavírus (COE-nCoV), que foi criado com o objetivo de enfrentar a pandemia no país. A Agência do Desenvolvimento do Turismo de Santa Catarina (Santur) se incorporou a Comissão de Desenvolvimento Econômico do Governo de Santa Catarina, para desenvolver medidas que possam minimizar o impacto econômico que o setor sofrerá.

Além de todas as ações protetivas e restritivas que as autoridades do setor tomaram em decorrência do vírus, o Ministério do Turismo também assinou medidas para facilitar o acesso ao crédito do Fundo Geral do Turismo (Fungetur). Disponibilizando 381 milhões, a Fungetur irá reduzir a taxa de juros de 7% para 5%, suspender os limites impostos para a aplicação dos recursos, aumentar a carência no pagamento de empréstimos, entre outros atos que ajudaram micros, pequenos e médios empresários da área.

Em um comunicado no dia 24 de março, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, minimiza os efeitos do COVID-19 e, contrariando as orientações da Organização Mundial de Saúde, convoca a população a voltar à normalidade pelo bem-estar da economia do país. No dia 26 de março, o Governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, libera da quarentena vários serviços não essenciais, entre eles o setor de hotelaria. Em carta aberta, a Fornatur emite uma opinião contrária as medidas propostas pelo governo, defendendo que a grande população deve permanecer protegida. “Apesar dos incontáveis prejuízos, as pessoas que fazem o turismo entendem que, neste momento, o mais importante é preservar a saúde de todos”, diz a carta.

Texto: Beatriz Godoy Taveira Imagens: Ariadne Marcelino, Bárbara Dias e Vitor Fernandes Edição de vídeo: Vitor Fernandes