Unisul Virtual: após um ano de aulas online estudantes devem continuar em casa

No dia 5 de março os estudantes da Universidade do Sul de Santa Catarina receberam um e-mail da instituição anunciando a prorrogação da volta às aulas presenciais.

 Com o período letivo tendo se iniciado no dia 22 de fevereiro, em ambiente digital, o retorno às salas de aula havia sido marcado no calendário da Unisul para o dia 8 de março. Com a crescente piora nos quadros epidemiológicos do país, os estudantes, que já estão há quase um ano em modalidade de ensino a distância, retomam o primeiro semestre de 2021 mais uma vez com as aulas virtuais sem data para acabar.

A decisão da universidade não foi infundada. A cidade de Tubarão, sede da Unisul, segundo boletins divulgados pela prefeitura da cidade até o momento conta com 490 casos ativos da COVID-19, 237 óbitos e 100% de ocupação das UTIs e enfermarias quase lotadas nos hospitais locais. O prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli, declarou que a cidade está vivendo o pior momento da pandemia em termos de infecção pelo vírus e ocupação nos hospitais. “Se medidas mais duras forem aprovadas pelos prefeitos da região, ou mesmo pelo Estado, não seremos voz destoante. Não dá para esperar mais. Temos que tentar tudo o que os especialistas indicam como positivo, para amenizar a situação”, destacou o prefeito.

Covid-19:

A situação é alarmante em todo o país, no dia 10 de março o Brasil bateu o recorde de mortes desde o início da pandemia, com 2.286 mortos por COVID-19 em 24 horas, no total o país já ultrapassa a marca de 270 mil vítimas pela doença. O diretor do campus de Tubarão, Rafael Faraco, afirmou que para o retorno das aulas presenciais a universidade procura observar os decretos do poder público e priorizar o bem-estar dos estudantes, “Temos uma equipe especializada para tratar de todos os aspectos relacionados com este momento tão grave para todos”. 

Para a estudante da 7° fase de jornalismo, Isabel Silva, o adiamento do início das aulas presenciais foi a melhor escolha para o momento e diz que não se sente segura em voltar, “Mesmo que os acadêmicos já estejam cansados do ensino a distância, a gente sabe que esse é o momento de parar. Ainda que a universidade tome medidas severas com o retorno das aulas presenciais, acredito que o risco de contágio da doença seja gigante”, afirma a aluna. 

Contudo, Isabel conta se sentir prejudicada com a nova modalidade de ensino, tanto em relação a aprendizagem quanto na parte financeira. Com apenas 50% da bolsa, a estudante não concorda com os valores das mensalidades nesse novo modelo de aulas, “Não estou aprendendo da maneira que estaria se o ensino fosse presencial, muitas vezes sinto como se estivesse pagando por pagar, pois não vejo retorno”, explica. 

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Cursando a 7° fase do curso de fisioterapia, a estudante Yasmin Augusto completa que, além da dificuldade financeira, a qualidade das aulas através das telas não é a mesma que na sala de aula, “No meu curso sinto que prejudica nosso aprendizado, tendo em vista que muitas matérias que eram para ser presenciais e práticas foram dadas on-line”. Pensando nessa preocupação dos alunos, o diretor do campus, Rafael Faraco, garantiu que as aulas práticas serão totalmente recuperadas e que os estudantes poderão concluir o semestre sem prejuízos nas suas formações. 

Apesar das complicações das aulas remotas, as duas estudantes concordam que ficar em casa ainda é a melhor opção para o momento. Mesmo com a vacina, a pandemia se mostra longe de acabar, e seus números de casos e mortes cada dia maiores indicam que as decisões mais sensatas são aquelas que preservam a vida de todos. “A vida, o nosso bem mais precioso, está sendo fortemente desafiada com a pandemia da Covid-19. Neste momento, o que precisamos fazer é entender a gravidade do cenário atual, sermos resilientes e responsáveis conosco e com o próximo”, conclui Faraco. 

Por Beatriz Godoy Taveira